:: MiL oLhArEs ::

desabafO. opiniãO. palavrA vÃ. idéiA. errO. acertO

30/10/07

:: PaRaDiSe iS NoT FoR Me ::

 

 

 

 

"Autour de moi
Je ne vois pas
Qui sont des anges
Surement pas moi
Encore une fois
Je suis cassee
Encore une fois
Je n’y crois pas…

All around me
I could not see
Who are the angels?
Surely not me
Once more again
I am broken
Once more again
I don’t believe it…

I was so blind
I could not see
Your paradise
Is not for me…"

AND… PARADISE IS NOT FOR ME…

criado por girli_e    9:15 — Arquivado em: Sem categoria

:: Não… ::

 

 

"NÃO APRENDA A DESEJAR AQUILO QUE NÃO MERECE!!!"

– veio a calhar essa frase do biscoitinho da sorte chinês —

criado por girli_e    9:00 — Arquivado em: Sem categoria

29/10/07

:: SePaRaDoS ::

 

 

Separados na Maternidade.

 

E quem é que vai dizer diferente?!

 

                                                by Eli

criado por girli_e    20:29 — Arquivado em: Sem categoria

:: LeTaRgiA SuiCiDa ::

febre     raiva     dor     angústia     estupidez     apatia     indiferença     cú     rancor     bulimia     infidelidade     escarlatina     injustiça     platão     pulso     o pulso ainda pulsa     ignorância     cegueira     lágrimas     tuberculose     anemia     vingança     inveja     memórias     incesto     morte     peido     encefalite     insuficiente     marasmo     chatice     prisão     covardia     pesar   úlcera     solidão     miséria     fome     roubo     ódio     matemática     foda     coqueluche     hipocondria     sífilis     ciúmes     asma     cleptomania     fim     o pulso ainda pulsa     doença     greve     mentira     desdém     crueldade     caralho     arrombado     suicídio     incerteza     insegurança     hipocrisia     nó     acidente     derrota     impaciência     grito     fingimento     tortura     não    inferno     sangue     tolerância     bastardo     máscara     espera     demônio lepra     reumatismo    pediculose    chagas    chato     pouco     desconfiança demência     fraqueza     medo     bosta     esquizofrenia     doação     corte

criado por girli_e    19:58 — Arquivado em: Sem categoria

:: MoJiCa: MeStRe OnTeM, hOjE e sEmPrE! ::

Quinta-feira, 25/10. E lá fui eu, mais uma vez, me aventurar pelas ruas de Cerqueira César, acompanhada, para desfrutar de mais uma película que pudesse contribuir de alguma forma para minha essência e formação como ser humano. Destino? Cine Bombril, dentro do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, 2073.

Como não poderia deixar de ser, os filmes do mestre José Mojica Marins, o cineasta, produtor, diretor e também ator, conhecido mundialmente pelo seu personagem Zé do Caixão (ou Josefel Zatanas, como preferir) estavam na minha lista… Claro! Mas como eu não conseguiria chegar para a sessão das 19h10 (À Meia-Noite Levarei Sua Alma), pelo menos a sessão das 21h teria que ser garantida.

E eu tampouco poderia perder o adicional da palestra, às 23h, com o próprio "cão das trevas", que contava também com a presença de Dennison Ramalho, que co-escreveu o roteiro do novo filme do Zé do Caixão e que também participou do documentário amador realizado por mim, meu namorado e meu amigo Ivan… Pois é. E antes que eu me esqueça: no nosso documentário, que se chama "Cinema de Horrores", conta também com a participação do mestre Mojica, além de Arnaldo Jabor, Carlos Primati e Marina Person (cuja atuação foi a pior que poderíamos imaginar… Totalmente mulher-porta. Decepcionante! Mas… abafa!)… Egos inflados (nossos, não deles…). Enfim…

 

Continuando…

 

Totalmente tiete (sim, admito ter fraquejado neste momento…), fiz questão de sentar na terceira fileira (número 3), especificamente na poltrona de número 13! Para dar sorte, ué! E, correndo tudo bem, um sorriso estampado no rosto, o coração batendo a mil e confortada pelos braços de quem eu amo, o longa começa. Muita, muita emoção para mim… Detalhe: eu nunca tinha assistido "Esta Noite Encarnarei no Seu Cadáver". E posso dizer, com todas as sonoridades, letras e sintaxe necessárias: ACHEI PER-FEI-TO! Ainda mais considerando que toda aquela maravilha havia sido produzida com um investimento totalmente limitado, e ainda mais nos anos 1966!

 

O disparate e a conexão das cenas P&B  e das cenas coloridas, que acontecem no inferno, são simplesmente de tirar o fôlego, pelo menos o meu fôlego. A produção é impecável! LEMBREM-SE: é uma produção trash, de baixo orçamento e realizada em 1966. Quem pudesse fazer melhor nas mesmas condições que atire a primeira cruz!

 

O filme terminou com a minha expressão botoxizada de sorriso permanente… E precisamente às 23h, caminhando de forma a respeitar seu próprio compasso, desce a rampa da sala escura (que já tinha suas luzes acesas) um senhor (de calças sociais pretas e camisa de mangas curtas amarela) que causa frisson, assovios e palmas, muitas palmas. Sim… O criador de Zé do Caixão. O Zé. Mas o Mojica (ele não gosta de ser chamado pelo nome do seu personagem, memorizem!).

 

Ao lado do cineasta e roteirista Dennison Ramalho e do produtor Fabiano Gullane, Mojica falou a respeito da produção de "Encarnação do Demônio", comentou cenas de tortura (por incrível que pareça, após uma pergunta sobre a cena de tortura mais bizarra, a resposta de Dennison Ramalho foi simples e direta: "Rato na buceta!". Simples assim. Fala sério… Agora só assitindo para ver.), disse como é trabalhar com um investimento que jamais trabalhara antes, das diferenças de ontem e hoje nos sets de filmagem, do destino de Zé, o do "Caixão".

 

 

Mojica também afirma que sua nova produção "vai meter medo",  além de dizer que a inspiração do horror brasileiro está nos mares e matas que temos, nas crenças religiosas (umbanda, quimbanda) e místicas, na menina da favela que tem um caso com um senador, na madame que tem um caso com o marginal e na mistura das raças.

 

O mestre também disse que ele espera poder deixar um ensinamento que valha a pena para jovens talentos brasileiros, que possam, dignamente, dar continuidade ao cinema de horror nacional. Mas deixa bem claro: "Chaplin? Não há quem supere Chaplin. Hitchcock? Não há quem supera. Se vamos falar num Chacrinha… Não vai surgir quem supere. Então uma coisa é certa: pode ter o amigo do Zé do Caixão, o filho do Zé, o neto do Zé,  mas não adianta ninguém tentar fazer o personagem porque vai cair no ridículo e o povo não vai respeitar. Então, no dia que eu partir, comigo parte o Zé. Zé, jamais haverá outro!"

 

Mas a noite ainda guardava uma surpresa fantástica (sim, mais!). No meio do debate, Mojica disse que gostaria de passar o trailer de "Encarnação do Demônio", e mais alguns  minutos da demo da produção. E quem é que não se exaltou neste momento? Foi simplesmente uma delícia!!! E ao final dessa pequena mostra, lá estava eu, afogada em minhas próprias lágrimas (sim, admito que não me contive mais uma vez…). Sem demagogia ou exagero: foi muito emocionante. Uma sensação de "finalmente! Ele merece!!!".

 

 

Não posso deixar de admitir… Foi uma noite agradabilíssima, perfeita. Valeu muito a pena. E me serviu de calmante. Com certeza. Como? Oras, não fosse o comentário do meu namorado "amor, você está tão ‘bitolada’ na Mostra, que esqueceu que ainda há vida lá fora !!!", para me dizer algo que, não fosse a Mostra, ele não teria que me dizer (a estréia de "Jogos Mortais IV"), eu não teria parado para respirar e enxergar o horizonte. Mas não foi somente este comentário que me trouxe de volta ao mundo "real". Foi o alívio e o sentimento de missão cumprida após ter participado deste tão inesquecível debate (sim, sei que por vezes exagero um pouco em adjetivos…). Depois disso, assisti sim a outros filmes do festival. Mas este me bastou. Acalmou minha angústia e me libertou. Não de vez, por não quero ser libertada desse mundo cinéfilo jamais. Mas libertou minha visão. Outra vez.

 

 

 

ps. e eu juro, juro e juro que assim que saí da sala, após o debate, após as fotos, após o bate-papo em off com Dennison Ramalho, eu tirei meu celular da bolsa para ver se havia alguma ligação… E… não, não havia nenhuma ligação. Mas havia discado, por acidente (ou não): #666#. Ok… Abafa mais uma vez!

 

criado por girli_e    19:23 — Arquivado em: Sem categoria

28/10/07

:: SoMbRaS, de Milcho Manchevski… parte I ::

 

 

Segunda-feira. Dia 22. Pra variar, meu pensamento continua focado na 31a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Comecei a trabalhar às 9h, sairia às 18h e duas horas mais tarde, às 20h precisamente, aula de Espanhol. Curso de Extensión. Sim, já estou no avançado. Orgulho para mim mesma. Não vejo a hora de ser fluente em mais uma língua. Enfim…

Decidi, após ter ficado de molho no domingo devido à enxaqueca do meu namorado (que quando chega, arrasa e vem pra ficar…), que eu teria que compensar… Mas como? Pensei. Mas não muito. E decidi: não vou à aula. Vou à Avenida Paulista (ou Cerqueira César, como preferir…), comprar o presente de aniversário do meu ser amado e em seguida, "coletar" mais um longa para aliviar minha tensão "Mostral".

Como meu namorado não estava ainda recuperado, optei por me arriscar à uma aventura da época de solteira (por mais que eu não me lembre a última vez em que me vi em tal situação)… Não, não se confunda. Eu sou fiel. Aprendi a prezar a fidelidade. O que digo é em relação à ir ao cinema sozinha. Só. Sola, como se diz em espanhol. Atitude olhada e julgada por muitos como "que dó, essa daí nem deve ter alguém para lhe fazer companhia", ou "ai, que solidão, programa de índio", ou até "essa deve ser mala, não deve ter amigos, muito menos namorado. Nem namorada deve ter".

Uma pena é saber que as pessoas não pensam, na maioria das vezes, que solidão em programas culturais não significa necessariamente "solidão". Nem todo mundo acredita que estar só pode ser uma escolha. E os sentimentos de dó e piedade, de desconfiança e pré-julgamentos se iniciam. Uma pena é perder tempo julgando a vida alheia. Mais uma vez, enfim…

Arrisquei. Sessão das 21h. Pontual. Juro! Quase nem acreditei. HSBC, Rua da Consolação, 2423. Esquina com a verdadeira Avenida Paulista. Fila longuíssima. E muitos, muitos seres humanos desacompanhados. Nem me senti observada como um alien. Eu era um deles. Sem julgamento.

Durante a espera para comprar o ingresso de "Sombras", de Milcho Manchevski, aquele Macedônico de Skopje, que já teve duas produções escolhidas para outras duas Mostras (a 18a. e a 26a., com "Antes da Chuva", seu primeiro longa, e "Poeira do Tempo"), comecei a conversar com dois seres humanos do sexo masculino, muito simpáticos e interessados no mesmo filme que eu.

Os três, digo, nós, assistiríamos "Sombras". Além de concordar que poderia ser uma película surpreendente, também concordamos com o pesar de haver atrasos em quase todas as sessões. Tudo bem, também concordamos que o interessante dos atrasos eram os fatos que aconteciam antes dos atrasos, os mesmos que ocasionavam os mesmos atrasos. As conversas, discussões, "tira-teimas" com os diretores dos filmes. Justo? Talvez. Irritante? Pode ser…

Comprei meu ingresso às 20h58 precisamente, comprei meu saco de pipoca média e minha (claro!) Coca-Cola média e me dirigi à sala da deusa. Que deusa? A que eu mencionei no texto sobre SOS, de Michael Moore. Deusa = tela gigante de cinema. As imagens iniciais já estavam sendo projetadas, as luzes apagadas e eu, desesperada para encontrar logo um lugar, coisa que para mim, sem óculos, é quase impossível. Eles estavam dentro da bolsa, oras…

Segui as luzes laranjinhas que são fixadas ao carpete, parei e esperei uma cena clara na tela para poder me locomover. Pronto! Achei meu lugar. Ninguém na minha frente. Ninguém atrás. Somente eu, a pipoca e a Coca-Cola. A bolsa também, claro. Algo meio "Me, myself and Irene", dos diretores (e irmãos) Bobby e Peter Farrelly, só que sem o "rene" de "Irene". Deu para entender?

E a jornada, para minha felicidade, se deu por iniciada. "Sombras", de Milcho Manchevski.

criado por girli_e    16:45 — Arquivado em: Sem categoria

:: SoMbRaS, de Milcho Manchevski… parte II ::

 

 

Início duvidoso, estranho. Eu havia lido que a trama era sobre a pressão e a cobrança de não sermos o que esperam de nós, ainda mais quando há alguém da família que é muito bem-sucedido na mesma área. Que também tratava da questão de maturidade, de quando um homem se torna um homem de verdade. E principalmente abordava a questão da morte e do que vem com ela e depois dela. Só por esta especulação, o filme já chamou a minha intenção, afinal sou uma aficionada por cinema, sim. Por cinema de horror, de suspense, de tramas mirabolantes e violência, ainda mais. Não consigo negar. E nem quero.

Sou alucinada por Quentin Tarantino, por exemplo. Amei Donnie Darko, de Richard Kelly. Sou louca por David Lynch (Twin Peaks é uma das melhores tramas da minha vida!). Oliver Stone. Michael Bay. Stanley Kubrick (quem nunca assitiu "O Iluminado" ou "Laranja Mecânica"???).

A cena responsável pelo desenrolar do 35mm da Macedônia (onde o filme acontece), logo nos primeiros minutos - escura, tensa e na minha opinião, tão duvidosa quanto o início - até que me fez concentrar, aguardando um algo a mais que, infelizmente, não aconteceu. Não desta vez, pelo menos. A seqüência das cenas me fez lembrar de um texto que li inúmeras vezes em sala de aula com alunos que eu tinha do "high-intermediate", que falava de anjos que resgataram três garotos de serem congelados até a morte na véspera de Natal. Para mim, e creio que, para meus alunos que leram o texto, nada daquilo era novidade.

Tudo se resume aos "sobreviventes" do purgatório (sim, porque se tivessem ido para o "paraíso" estariam cumprindo missões divinas e não vagando pelos arredores do planta Terra) que procuram por justiça. Aos sobreviventes fastasmas que adoram se materializar e assustar quem não tem muita fé no divino, ou aqueles que mantém sua fé em constante questionamento. Sobreviventes que vêm buscar o que já não podem mais levar. Ok, há alguns que vêm para desencarnar em paz e tentam resolver situações não resolvidas. Mas se já morreram, vão querer resolver o quê no mundo material? Que lavem suas roupas-sujas no mundo celestial ou infernal ou purgatorial mesmo! Aqui já tiveram a sua chance. Pelo menos é o que eu acredito.

E a cada cena, a cada tomada, a cada uso de câmera que não era novidade para mim e nem para o público em geral, creio eu, eu alimentava dúvidas. Questionamentos. Não sobre fé ou religião. Nada a ver com o mundo dos mortos também. Questionava dentro das minhas lembranças: "onde é que eu já vi isso mesmo?!". Depois de mais alguns minutos de concentração, cheguei à uma resposta satisfatória, pelo menos para minhas próprias concepções. Os personagens, o enredo, certas perfumarias e momentos específicos de edição, chavões e conclusão da trama criada por Manchevski vêm provavelmente do mesmo lugar-comum que vieram "Sexto Sentido", "Os Outros", "Noiva Cadáver", "Noviça Rebelde", "O Amor Não Tira Férias", "O Chamado", "Água Negra" e até "Todo mundo em Pânico". Dá para crer?!

Não que todas essas menções sejam necessariamente críticas. A questão é que "Sombras" não foi surpreendente, nem emocionante, nem inspirador para mim, no meu papel como espectadora, educadora (sim!!!) e jornalista formada (sim também!!!). Me senti apática quando as luzes, após exatamente 120 minutos, se acenderam. Me senti ultrajada com a luta indigesta entre o mocinho perturbado e o espírito do além que devíamos ter acreditado não ser do além (ha-ha-ha), segundo o diretor. Bizarra. Sei que o vocábulo não é muito próprio para esse texto, mas não pude encontrar outro melhor. Da mesma forma que o diretor também não encontrou uma trama melhor. Estamos os dois perdoados. Brasileira e Macedônico. Dois diferentes, mas iguais (sem quaisquer pretensões).

Sombras, de de Milcho Manchevski.
Macedônia / Alemanha / Itália / Bulgária / Espanha
120 minutos color, 35mm

criado por girli_e    16:41 — Arquivado em: Sem categoria

26/10/07

:: HaLLoWeEnN ::

 

 

Eu, particularmente, amo Halloween, bruxas, almas de outro mundo, monstros e criaturas do além em geral. Me divirto muito… E hoje foi um dia completo, 100% mesmo.

 

Organizei, junto com minhas fiéis escudeiras teachers, secretárias e divulgadoras, a festa de Halloween na escola!

 

Foi tuuuuudo de bom! São 23h25 agora e cheguei à pouco… Foi trabalhoso, cansativo e corrido, mas valeu a pena, todas as penas!!! As crianças se acabaram e os adultos, rs, idem… Os papais e mamães que por lá estavam também entraram na festa e curtiram, com certeza.

 

Foi a melhor festa de Halloween que já tivemos, EVER!!!!! E foi tudo muito gostoso, querido, engraçado (a gente gritando com as crianças no videozinho de Thriller do M.Jackson, todos nós dançando como os mortos-vivos no vídeo)… Muito, muito compensador!

 

Sucesso.

 

Uma pequena mostra? Aqui:

 

 

Quer mais? Entra no meu flickr… My PiCs… Aí do lado…

criado por girli_e    22:30 — Arquivado em: Sem categoria

23/10/07

:: SoS, de MiChAeL MoOrE :: parte I

 

 

 

Sim, ainda estou na busca incansável por assistir a mais filmes da 31a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo… Andei pensando mais uma vez… Bem que eu poderia ter tirado minhas férias neste período… E ainda assim, viajar… Viajar e conhecer aquele mundo à parte de tudo o que eu já tinha visto antes que eu conheci… João Pessoa, Itamaracá, Porto de Galinhas etc etc etc.

Mas tudo bem, o ser humano é egoísta mesmo, quer abraçar o mundo todo com os seus dois braços apenas… Antes eu fosse um polvo, ou, parafraseando (ou seria parodiando?!) Fagner, "quem dera ser um polvo, para ser livre e abraçar tudo que dá…". Enfim.

Sábado. Dia 20. Ressaca de Irina Palm - no melhor dos sentidos. Fui dormir às 4 da manhã, acordei às 6h50 e fui trabalhar. Trabalhei até às 16h30, fui para casa, arrumei meus pertences e, novamente com meu fiel escudeiro e namorado de longa data, me direcionei ao bairro Cerqueira César (mais conhecido como "Avenida Paulista" - quem não se lembra daquela figura de linguagem que aprendemos a usar na escola, a metonímia?!).

As intenções de sábado eram: "Rolling Stones - Sympathy For The Devil", de Jean-Luc Godard (aquele documentário que "briga" com o "One + One"), na Reserva Cultural e "SOS Saúde (Sicko)", do polêmico Michael Moore, no Cinesesc (me esforcei para escrever polêmico, me contive. Eu teria feito uma interminável lista de adjetivos medonhos aclamando este ser a quem eu admiro e morro de amores. Abafa.).

Para a tese anti-lugar comum de chegarmos ao cinema minutos antes, comprarmos os ingressos, ficarmos na fila e entrarmos na sala escura que não estará tão escura assim a princípio, eu fui prova mais uma vez: "Rolling Stones, o documentário" - ESGOTADO (e olha que eu nem estava lá minutos antes!). Paciência. Vamos ao Cinesesc então. E esse "então" não é "então" de pesar. Longe disso. Eu estava vibrando com o fato de que já que perdemos um filme assim, melhor Jean-Luc Godard do que Michael Moore. Pelo menos para mim. E olha que eu amo Rolling Stones! Melhor eu me acalar agora…

Sessão das 23h. Ou não, para variar… Atraso de 35 minutos. Durante a espera na fila, ganhei dois presentes: o guia oficial da Mostra e o livro com a sinopse e todas as informações de todas as películas (curtas, médias e longas) da Mostra. Presente de quem ama e sabe o que ama a quem se ama. Complexo? Bom, comecei a ler, a marcar, a devorar, com o pensamento de querer que minhas férias realmente tivessem sido neste perído. Mas nem sempre querer é poder, né? (e eu o-d-e-i-o frases prontas!!!).

Me esforçando e contando com a ajuda do meu namorado e da latinha de Coca-Cola que ele havia comprado para espantar o sono (ei, da sexta para o sábado eu só tinha dormido 2 horas e meia e já eram 23h!!!), esperava ansiosa para saber se seria "mais do mesmo" a la Michael Moore… Sim, eu esperava "mais do mesmo", a la "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 11", sim! Admito. Eu curto Michael Moore, ué!

E a porta da esperança se abre, e por dentro não estava vazia… Muitas poltronas aconchegantes, sala de estar pública, área para fumantes protegida por vidros e cheia de mesinhas e lá, lá estava ela, a deusa, a pop star desta noite e de todas as outras: a gigante tela de cinema! Quem mais poderia ser? Perdão, digo, "o que" mais poderia ser?

Nos acomodamos na última fila para não ter nenhum ser humano desagradável chutando nossas costas durante o desenrolar da película e para, desta vez, termos a certeza de confirmar a faixa etária dos que resolvessem, surtadamente, como ocorreu em "Irina Palm", gritar quaisquer parafernálias. Sim! Eu sei que escrevi "parafernália"!

Mas não - desta vez houve a diversão, mas a cultural real, não a paralela! Felizmente. Eu havia prometido que se desta vez o povo surtasse, eu também cairia do salto. Anabela, claro. É mais seguro.

 

(contunua…)

criado por girli_e    10:32 — Arquivado em: Sem categoria

:: SoS, de MiChAeL MoOrE :: parte II

 

 

 

E o filme começa a ser projetado na deusa. E aquela voz começa a narração. Eu seria capaz de identificar a voz de Mr. Moore, o Michael, dentre uma aglomeração de milhares de pessoas. Eu poderia estar no show do Marilyn Manson, do Aerosmith, Pearl Jam, Linkin Park, Madonna, como já aconteceu, e eu reconheceria a voz de Michael Moore cantando no meio da multidão! Fanática? Não.

"SoS Saúde", ou "Sicko", é mais do mesmo, sim! Mas como poderia ser diferente?! É Michael Moore, oras (sim, eu sei que estou repetitiva escrevendo o nome dele a cada espaço que tenho agora… Minhas sinceras desculpas).

Eu sei que eu e todas as outras pessoas aficionadas ou interessadas ou até curiosas a respeito da Mostra devem ter lido as sinopses em geral (que não necessariamente correspondem à realidade - a não ser as que estão no livro oficial). E lendo algo como "o diretor de Farenheit 11 aponta a câmera desta vez ao problemático sistema de saúde dos EUA", as pessoas talvez não tenham uma idéia muito precisa do que realmente o documentário se trata.

E eu digo: se trata de realidade. Nua e crua. Eu nunca estive na Inglaterra, na França ou em Cuba. Espero um dia ter a oportunidade de conhecer todos os lugares do mundo. Mas já estive nos EUA e no Canadá. E posso dizer por experiência própria, que sim, pelo menos no que se trata de América do Norte, Michael Moore retrata a realidade sem perfumarias.

Durante o período em que vivi fora do Brasil, em Arligton, Virgínia, pertíssimo de Washington, DC, a capital da terra do titio Sam (que eu amo e admito sem rubores) , precisei de cuidados médicos 2 vezes. A primeira vez, precisei de um oculista, pois eu havia perdido meus óculos. Eu tinha seguro de saúde, que me permitiu obter um desconto na consulta. Ok. Fui. Na hora de fazer os óculos, tenho certeza que eles incluíram o desconto no valor das lentes (simples, de astigmatismo), tão absurdo o valor que eu teria que pagar. E olha que a armação eu havia comprado num vendedor de rua em Georgetown por Us$20. Desisti. Preferi voltar para casa e pedir para São Longuinho. Achei meus óculos 2 semanas depois.

Na segunda vez que precisei de cuidados médicos, foi mais complicado. Eu tinha 20 anos, considerada "menor" para beber em festas, boates e afins. Mas saía e às vezes bebia os famosos "Long Island" e "Sex on the Beach" com minhas amigas e namorado na época. Eu nunca gostei de bebidas alcoólicas, mas bebia socialmente para "causar". "Coisa de jovem", como diz meu pai. Desta vez, fomos à uma boate chamada "Glow", que eu adorava. Na porta, ao entrar, recebo um "X" em cada mão, com aquelas canetas piloto que fedem a álcool. Sinalização para não me venderem bebidas alcoólicas.

O único detalhe era que eu estava na companhia de 5 amigas entre 22 e 25 e um namorado de 26. E o "X" me impediria de beber? Ha-ha. E foi o que fiz. Long Island, Sex on the Beach, Vodka com energético, 1, 2, 3, 4. Fraca com álcool como sou, não durei metade da minha noite. A única sorte é que quando tocou "Hide U", da banda Kosheen, que eu adoro, eu ainda estava sóbria. Por um momento que me afastei para ir ao banheiro, encontrei a Yalanta, minha amiga da Letônia, pedi ajuda, disse que estava mal, fui procurar o resto do pessoal e… apaguei.

Chamaram a ambulância. Paramédicos. Coma alcoólico. "Responsável pela garota?", "Quem deu bebida para ela???", "Quem vendeu bebida para ela?". Resultado: ninguém poderia se culpar. Minhas amigas eram estrangeiras, meu namorado, americano. Seria um grande problema para eles assumirem a responsabilidade da minha bebedeira. O culpado, então? A boate. Multa. Eu jamais poderia aparecer naquele lugar novamente. Hospital. Uma noite internada, soro e glicose. fazer o quê? Aprendi a lição quando sóbria, com aquela puta ressaca infernizando meu bem-estar. Vendo a cara de todos eles, as preocupações e os cuidados pós-sentimento-de-culpa por não terem se "entregado" à polícia que fazia aquelas perguntas que davam aquele nó na garganta.

Melhorei. Tudo bem novamente. Até eu receber duas correspondências: uma do departamento de bombeiros e outra do hospital. Uma conta a pagar pelos cuidados prestados pelos paramédicos, na ambulância e outra pelos cuidados médicos no hospital. Eu quse precisei de cuidados médicos novamente. Quase infartei quando vi o montante a ser pago. Eu não podia arcar com aquela despesa. Au Pair que recebe Us$140 por semana, que tinha uma conta rechonchuda no banco após um período de economia para a tão esperada viagem à costa oeste do país do sonho americano (Califórnia, Nevada, Arizona!!!), não poderia arcar. Não tem hospital público nos EUA? O seguro não cobre bebedeira??? Como assim?

Com a cara, a coragem, papel e caneta na mão, liguei para todos os lugares possíveis para conseguir o nome do diretor do hospital e do departamento de bombeiros. Consegui. Escrevi para cada um, uma carta explicando minha situação e dizendo que não teria como pagar. Insisti, tirei cópias dos documentos, insisti, fui, liguei, expliquei, exigi… Consegui não ter que pagar o hospital, além de um desconto de 70% no valor do serviço de ambulância. Sorte. Pura sorte.

Voltando a Michael Moore então… Eu sei exatamente como pode ser, levemente, a problemática da saúde no país sem defeitos. Sei como é no Brasil também, claro. Mas posso dizer? Somos muito melhores em vários aspectos. Às vezes não nos damos os devidos créditos. "A galinha do vizinho é mais gorda que a minha" - é assim que agimos. E vendo o documentário, que me fez chorar, rir, emitir sons guturais que expressavam meu descrédito, minha surpresa, minha alegria e minha decepção, vi que Michael Moore pode ser mais do mesmo, mesmo. Mas ele pode. Tem fundamento. E faz querermos, talvez, conhecer Cuba e acabar com o nosso preconceito ridículo. Conhecer Paris, ou qualquer outro lugar na França, para acabar com o "meu" preconceito. Conhecer a Inglaterra e confirmar que apesar das lendas, pode ser um lugar muito agradável de se conhecer. E o Canadá? Esse, eu já conheço. E lembro de alguém que precisou de cuidados médicos quando fui fazer turismo pós-fronteira, e que foi atendido exatamente da mesma maneira que Moore expõe no filme.

Vale a pena. Visitar esses lugares e assistir "SOS", do gordo que acha que pode. Ele pode mesmo!

criado por girli_e    10:29 — Arquivado em: Sem categoria
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