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27/11/07

:: Eu PrEciSo… ::

 

… de um ácido. Urgente!

 

 

 

criado por girli_e    9:30 — Arquivado em: Sem categoria

:: EsToU… ::

 

Estou numa fase ruim.

 

Chata. Depressiva. Carente. Moribunda. Angustiante. Desiludida. Sôfrega.

 

Distante.

 

Distante de tudo e todos. Distante até de mim.

 

Acordo e tenho vontade de não sair da cama.

 

Tenho muito sono. E mesmo que eu já tenha dormido 12 horas, mesmo que eu já esteja sem sono algum, ainda quero remanescer lá, debaixo do meu lençol, do meu cobertor felpudinho e do meu edredon colorido - e ao redor de todos aqueles que velam o meu sono, sorrindo sempre: os enfeites de pelúcia e pano que habitam o meu dormitório.

 

Hora do almoço, hora do lanche, hora da janta e eu não tenho vontade de comer nada, nem os camarões a alho e óleo que eu devorava em João Pessoa, PB, me dão água na boca.

 

Sinto cheiro de comida e me dá nojo. Vejo comida e me embrulha o estômago. Chego a ter pensamentos insistentes do tipo "se eu pudesse trocar a necessidade de me alimentar pela necessidade de ler, ou de ver filmes, eu absolutamente o faria!".

 

Saio do banho e a minha sagacidade de experiementar todos aqueles cremes e loções que habitam meu guarda-roupa, junto com tudo o mais, já não me estimula a produzir lágrimas a fim de deixar meus olhos brilhantes mais… E eu me conheço. Regularmente eu consideraria tal impulso um ultraje!

 

Ando nas ruas, sento nas poltronas dos transportes coletivos e não reparo mais nas pessoas que me rodeiam. Não reparo mais naquele ser humano que possui, talvez inerentemente, talvez não,  o senso "fashion" que me faz suspirar de alívio…

 

Reparo tampouco naquelas produções horrorísticas que certas pessoas teimam em usar imaginando estar um arraso…

 

Não reparo nos cabelos, no jeito de andar, no jeito de divagar que todo mundo tem quando se encontra , andando em meio a multidões…

 

Não reparo mais nas crianças que caminham ao lado do pai, da mãe, da avó ou de outro responsável, conversando e contando causos, como se fossem gente grande…

 

Não reparo mais nos estabelecimentos comerciais para ver qual é o próximo que receberá minha visita, mesmo que essa visita nunca ocorra…

 

Não reparo mais nessas coisas, coisas que sempre me divertiram, que me relaxaram, que me entusiasmaram, que me fizessem sentir VIVA, mais!

 

Nem na academia estou indo. Tenho faltado muito na aula de espanhol… Duas das coisas que eu adoro fazer, que me dão prazer.

 

Não tenho vontade de sair, de passear, de rir, de fazer coisa alguma que seja.

 

Não sinto estímulo!!!

 

Eu me enclausuro e me sinto só. Totalmente só! Só e anciosa para achar o botão de "delete".

 

Daí eu só penso em trabalho. Quero entrar no trabalho na hora em que as portas se abrem e sair somente quando as portas se fecham. Meu refúgio.

 

Chego em casa sedenta pelo encontro com aquele ser único que se mostra até sem ar de tanto pular, correr e fazer charminhos para mim: minha cachorrinha linda! Ela me ouve chegar, sente meu cheiro de longe e já se prepara. E em muitos momentos eu juro que sinto que ela consegue enxergar minha alma através dos meus olhos…

 

Ela olha fixamente, séria, sem piscar. Parece vasculhar meu íntimo. E vem, delicada, me dar carinho e atenção. Sem eu sequer murmurar qualquer palavra, qualquer som. Ela compreende o silêncio.

 

E neste momento da minha vida, eu sinto que é exatamente isso uma das coisas que eu realmente preciso: que o meu silêncio seja compreendido e desvendado.

 

Fim.

 

 

criado por girli_e    9:19 — Arquivado em: Sem categoria

:: A ViNgAnÇa QuE SeDuZiU TaRaNtiNo ::

 

 

A princípio, logo na tomada da primeira cena de Oldboy, tem-se a impressão de que algo familiar a Kill Bill está prestes a acontecer. O céu cinzento, o personagem asiatizado, o clima de tensão, o alto de um prédio, assassinato. Mas não é a isso que se remete Tarantino. É que, segundo ele, apreciador da cultura asiática, Oldboy é o melhor filme de vingança produzido até hoje.

O formato anamórfico - filmes rodados em formato alargado, vulgarmente apelidados de cinemascope – juntamente com cenas em plano contínuo, contribuem para que o filme de Park Chan-uk não seja simplesmente mais um filme qualquer e sem impacto; muito pelo contrário. Pelas cores foscas e pálidas, pelo clima mórbido e fotografia proveniente de uma mistura entre filme antigo e recente, cria-se uma atmosfera que apesar de distante e fria, faz com que o espectador sinta aquecer na pele a tensão e a ansiedade.

“Sympathy for Mr. Vengeance” (2002) foi o primeiro da trilogia de Park – para os que não sabem – à qual Oldboy faz parte. E o tema vingança permanece.

Começando quase pelo fim, a história de Dae-su (Choi Min-sik), um homem que passou 15 anos enclausurado num quarto de uma casa localizada à mercê de quem assiste ou mesmo do próprio personagem e que almeja vingança, é o relatório contemporâneo de uma tragédia-grega, que choca com seu enredo e com suas cenas de violência e tortura, que apesar de serem mais sugeridas do que representadas em detalhes, causam aflição e desconforto. Segue-se então para a lógica cronológica: o início, meio e fim.

Face-a-face com o mundo do lado de fora, atrasado uma década e meia, possuidor de um corpo sensível à agentes externos e olhos sensíveis à luz do sol e munido pelo sentimento devastador de vingar-se a qualquer custo, o personagem principal confronta-se com um contraste cultural muito grande – social e até gastronômico. A cena em que ele ingere um polvo vivo, tendo até aquele momento só se alimentado com bolinhos, causa repulsa em muita gente, mas deixa claro a questão da diferença comportamental que rege a atmosfera do filme.

Determinado a ferir quem quer que se coloque em seu caminho, Dae-su coloca em prática a força acumulada durante os anos de prisão, em que treinava contra um contorno de ser-humano desenhado na parede – agredindo, torturando, matando. E, sabiamente, o diretor não faz com que apareça dentro da alma de quem assiste ao longa, aquele pensamento de que violência gera só mais violência, que à ela se combate com amor. Mas também não a glorifica. Ele desperta um sentimento de compreensão e curiosidade, apesar dos arrepios. Lembremo-nos de René-Girard dizendo que só é possível ludibriarmos algo que nos incomoda, fornecendo-lhe uma válvula de escape, algo para devorar. É exatamente isso o que as cenas sangrentas oferecem.

O desfecho surpreendente (lembra-se da tragédia-grega?), as seqüências que ilustram variados sentimentos humanos que geralmente ficam guardados na mente, em época de uma sociedade moderna, liberados somente em situações catárticas de ficção, e a trilha sonora que acompanha o estado de espírito do vingador e influenciam o público, não deletam e não se fazem ignorar um dos pontos relevantes da história: o romance. Sim, também há, além da primitiva arte das justiças pelas próprias mãos, uma história de amor. Convencional ou não, cliché ou não, quem assiste é quem deve decidir.

 

Ou não.

 

Oldboy (Oldboy– Coréia do Sul,2003) / ação anamórfica, 120 min

criado por girli_e    8:36 — Arquivado em: Sem categoria
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