:: MiL oLhArEs ::

desabafO. opiniãO. palavrA vÃ. idéiA. errO. acertO

15/12/07

:: FiLmEs MoDeRnOs ::

 

Moderno.

Segundo o ilustríssimo dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (língua falada não somente no Brasil, mas em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal, acreditem ou não!), moderno é o pertencente à época histórica em que se vive, seja a década ou o século atual.

Pode também ser o que possui características contemporâneas.

Ou que representa o gosto dominante da época.

Ou também o que cujas características refletem tendências contemporâneas ou avanços tecnológicos e científicos.

Sim, sim, sim.

Clap clap clap para o moderno!

Sendo o moderno tão moderno, você, que é taxado de cinéfilo (olha as grandes obras da língua aí: o vocabulário…), termo usado para definir alguém que ama o cinema como arte ou forma de lazer, que se interessa por sua evolução e suas realizações (segundo Houaiss, pode confiar!), há de saber que cinema moderno é o que há.

Nossa! Que jargão horrível!

Jargão: linguagem alterada por perturbações patológicas de natureza afásica.

Enfim… Vamos continuar. Não queremos perder o fio da meada (!!!)

Enfim… Vamos continuar. Não queremos perder o fio da meada (!!!)

Esse texto é, definitivamente, um texto sobre cinema ou funções da língua?

(suspiro…)

(mais um…)

Enfim (parte II)…

O que podemos considerar cinema moderno? Termo complexo esse. Pode ser entendido de várias formas por variadas pessoas.

Há filmes antigos que podem ser considerados cinema moderno.

Lembremos da definição de Houaiss “pertencente à época histórica em que se vive, seja a década ou o século atual”. Ponto final.

Filmes modernos… Vamos pensar.

Alguns acham que filmes modernos são os que possuem em sua essência tecnologia, efeitos especiais e ficção científica.

Outros preferem crer que sejam os que dissertam em suas entrelinhas a respeito do futuro.

Alguns outros acreditam que filmes modernos sejam aqueles que, ou te fazem quebrar a cabeça para entender, ou os que são à frente do nosso tempo de uma forma que não fazem sentido algum sequer.

Filmes modernos também podem ser aqueles que mostram uma história que ninguém jamais pensou. Ou aqueles que são adaptações ou remakes de filmes já estrelados antes, mas com um toque a mais que atraia as multidões aficionadas pela tela gigante.

Mas é isso! Filme moderno é tudo isso e mais! Mais do que qualquer outra definição que você tenha em mente.

E disso tudo, desse emaranhado de definições para filmes modernos, ouso listar os que se adaptam a essa trajetória ‘cinefílica’.

Uns recomendadíssimos. Outros nem tanto. Mas todos valem a pena, por um motivo ou por outro.

Descubra o seu!

E faça a sua lista!

- Assassinos por natureza;
- Kill Bill Vol.1 & 2 (Quentin Tarantino disparado!);
- Cães de aluguel;
- Helter-Skelter;
- Star Wars;
- Donnie Darko;
- Party Monster;
- A vida de David Gale;
- O Massacre da Serra Elétrica;
- Jogos mortais;
- Willy Wonka e a Fantástica Fábrica de Chocolate (versões com Gene Wilder e Johnny Depp);
- Nove Rainhas;
- Má Educação;
- Closer;
- Os Excêntricos Tenembauns;
- Encontros e Desencontros;
- Corra Lola, Corra;
- Apocalypse Now;
- Amnésia;
- A onda (quem encontrar e conseguir ver, terá chegado ao final do arco-íris, no pote de ouro!);
- Laranja Mecânica;
- O Cubo Zero, 1 e 2;
- O bebê de Rosemary;
- Virgens Suicidas,
- Dogville;
- Elefante;
- Em carne viva;
- Madrugada dos mortos;
- Horror em Amityville;
- A trilogia de Hannibal;
- Tirésia;
- Os normais;
- Abril Despedaçado;
- Monster;
- Velvet Goldmine;
- O iluminado;
- Hedwig and The Angry Inch;
- Herói;
- Mulholland Drive;
- Império dos Sonhos;
- Império dos Sentidos;
- Suspiria…

E a lista não pára…

Retrógradas.

Essas ‘películas’ não o são!

criado por girli_e    0:57 — Arquivado em: Sem categoria

:: MiNhA LiBeRtAçÃo ::

 

 

Ando muito nostálgica esses dias. Nostálgica, pensativa, questionadora, inquieta.

 

Por esse motivo, resolvi postar aqui alguns textos meus mais antigos, que me trazem boas memórias. Me trazem os cheiros dos momentos que vivia quando os escrevi.

 

Momentos em que fui ao teatro assistir à  "OTELO", de William Shakeaspeare, com direção de Marco Antônio Rodrigues, e me acabei de emoção, de suspiros, de sorrisos acobertando minha face. Como eu gostaria que a peça ainda estivesse em cartaz para eu poder recomendá-la de verdade…

 

Momentos como quando fui ao teatro Augusta assistir "O 3o. Travesseiro", com direção de Stevan Lekitsch (baseado no livro de mesmo nome, de Nelson Luiz de Carvalho). Eu já tinha lido o livro e chorado horrores, ficado deprimida por semanas e compartilhado comentários com amigos que também já o tinha lido.

 

Já havia me emocionado com aquele história toda, me identificado demasiadamente de certa forma (sim, NUNCA é fácil enfrentar situações de preconceito, sejam essas situações causadas por quem for…). Nossa! Loucura! Loucura reviver tudo mais uma vez naquele teatro ao lado de dois seres humanos que me compreendiam explosivamente.

 

Momentos em que escrevi sobre a nossa língua, assunto que me frustra, me emociona, me intriga e me traz sempre tanta paixão. Amo cada letra do alfabeto, cada sílaba formada por elas, cada palavra, cada tudo…

 

Enfim… Tão nostálgica que resolvi despejar tudo aqui… Sem cuidados, sem cautela. Despejei mesmo. São meus. E não estão bagunçando o caminhar de ninguém. Despejei mesmo! (risos).

criado por girli_e    0:30 — Arquivado em: Sem categoria

:: O tErCeiRo TrAvEsSeiRo ::

 

 

O PALCO COMOVE? NÃO. A PLATÉIA, SIM.

 

Quem nunca ouviu falar no livro homônimo de Nelson Luiz de Carvalho, O Terceiro Travesseiro? Em sua nona edição, o livro se transformou num fenômeno entre a comunidade GLTB (gays, lésbicas, transsexuais e bissexuais), descolados e curiosos, com mais de duzentos mil exemplares vendidos desde 1998, ano de seu lançamento.

Abordando temas como homossexualidade e bissexualidade, amor, gravidez e preconceitos, o trabalho de Nelson inspirou o diretor Stevan Lekitsch a produzir uma peça de teatro baseada na história impactante que o livro possui.

De acordo com os produtores e elenco, o espetáculo foi o quarto mais visto na temporada paulistana de 2005, perdendo somente para produções encabeçadas por Paulo Autran e Antônio Fagundes.

O elenco (que é composto também pela atriz Alessandra Begliomini, uma das ex-participantes do reality show Big Brother Brasil) encanta por sua aparente inocência. Há uma química entre os atores, mas nada que cause grande impacto – não pelo menos para os espectadores que não se identificam com os personagens.

O que comove, na verdade, é o fato da projeção do público ser tão aberta e profunda. Não a atuação em si, ou o cenário em si. O que toca é o sentimento; a produção em si, deixa a desejar. O sucesso ocorre porque o público gay é fiel, nada mais.

Para quem leu o livro e faz parte de um dos grupos que compõem o GLTB, o impacto é devastador, mas por motivos anteriores ao da peça. Tudo se remete à vida real – os preconceitos já sofridos, a aceitação (ou não) da família, as dificuldades por ser julgado diferente ou inapropriado, a briga com o seu ‘eu’. O livro, durante e ao final, causa rios de lágrimas, falta de ar, peso – se você se projeta. É forte, real. A realidade machuca, dói por vezes.

No teatro, apesar de a produção não ser uma das melhores já apresentadas no teatro Augusta, por remeter à toda essa avalanche de ações, reações e emoções, leva o público à identificação imediata, de seres que já conhecem a história das folhas de um livro e da vida real, e ao ver pessoas de carne e osso tocando neste assunto que já foi encarado duas vezes de duas formas distintas porém similares, o choque acaba sendo grande e causando quase que uma centena de pessoas a deixar a sala com lenços de papel nas mãos.

A iluminação não faz diferença. A atuação, idem. Os mini-filmes por entre os blocos, o mesmo. O tema trabalha por si só.

Para os curiosos, digo eu, que conheço muito bem este assunto, há a possiblidade de se emocionar: mais com a emoção dos outros do que pela peça em si.

criado por girli_e    0:15 — Arquivado em: Sem categoria

:: EnTrEgA SuOr E tRaGéDiA ::

 

 

ENTREGA, SUOR E TRAGÉDIA – O OTELO DO GALPÃO

Um pouco diferente do Otelo das páginas dos ensaios de Shakeaspeare ao qual estamos acostumados – considerando uma maioria de leitores, creio eu e assim como eu, um imaginário de homem exótico, durão, militar agressivo e ciumento – o Otelo da peça dirigida por Marco Antonio Rodrigues exala um encantamento e comoção tais que há de se esquecer de certa forma os adjetivos ‘pejorativos’.

Juntamente com sua amada, Desdêmona, Otelo cria como ator e personagem uma ligação nada distante com os espectadores que estão ali, sentados ao redor daquilo que não é um palco – e sim, chão. As mini-arquibancadas móveis também fazem certo sentido nesta troca de sentimentos angustiantes que há durante os 180 minutos de apresentação, entre elenco e platéia. O público sente que faz parte – as trocas de lugares, a água que espirra, a gota de suor que é vista a um palmo dos olhos, o grito que ecoa nos ouvidos, o trabalho de luz e transformação dos objetos.

A história é, basicamente, a que se conhece. Sim, é William Shakeaspeare, não é nenhuma adaptação modernista ou desafiadora da obra do mestre inglês. O detalhe da diferença se dá pela atmosfera que é criada, pelo calor dos atores, pela entrega de quem pagou para ver.

O ritmo não cansa – correria, personagens no chão, nas escadas laterais, na sacada acima de nossas cabeças, as cenas por entre vidros. O barulho do pé descalço no chão. E mesmo que a tendência fosse cansar, há os 15 minutos de descanço. Sair do teatro, fumar um cigarro, esticar as pernas, subir para o andar miniatura e comprar sanduíches naturais, bebidas saudáveis, gomas de mascar e chocolates. De volta à realidade-ficcional.

 
Otelo transpira cataratas. E isso atrai. O contato, a mistura de peles e etnias – Desdemona cor da manhã e o militar-protagonista, cor da noite. Detalhe que embeleza a olhos nus. Iago, o inimigo. Criada, a nua. A emoção é sentida em cada partícula de ar.

Esse trabalho de Marco Antônio, com cara de alternativo, de baixa-produção, é o toque de requinte sem ser clichetizado. E o custo espanta: assisitr a uma boa peça de teatro em São Paulo por menos de R$50,00 é duvidoso. Por Otelo, Desdêmona, Iago e Marco, não é.

Recomendadíssimo.

 

Otelo, de W. Shakespeare.

Direção: Marco Antônio Rodrigues.

180 minutos (15 minutos de intervalo)

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14/12/07

:: A gEnTe TaMoS PrEciSaNdO ::

 

 

PRECISA-SE DE TRADUTOR E CORRETOR ORTOGRÁFICO
Na sua atual forma, a nossa língua portuguesa é invadida por estrangeirismos e erros fatais que causam polêmica

 

“Bom dia. Senhor Gonçalvez, por favor?”

“Ele está em uma reunião de business agora. Quem é?”

“Suzana.”

“Suzana, vou estar passando o recado para ele e assim que ele puder, te liga, okay?”

Okay. Preciso saber se ele vai fazer o pedido das bobinas, pra mim fazer o recibo.”

“Tudo bem. Com certeza ele estará entrando em contato.”

Numa conversa, de apenas alguns minutos, mesmo entre pessoas bem informadas, podem acontecer deslizes, sejam eles gramaticais ou não. Os deslizes não são prioridade das pessoas “iletradas”. Tudo contribui: desleixo, escassez de leitura, falta de atenção e até influência de línguas estrangeiras.

Na conversa acima, podemos notar tudo isso. Primeiro, a influência dos estrangeirismos, que na verdade, não assustam ninguém, tão parte da nossa língua que já são. Por que não dizer “negócios” ao invés de “business”? Ou “certo” ao invés de “okay”? E por que as pessoas nunca aprendem (ou se lembram) que “mim” é pronome oblíquo e não conjuga verbo – esta tarefa está sob comando do “eu”, pronome pessoal. E a grave influência da gerundização, que vem da língua inglesa? “Vou estar passando o recado” ao invés de “vou passar o recado”? Ou “ele estará entrando em contato” ao invés de “ele entrará em contato”?

Tudo isso deveria ser classificado como? Uma afronta à língua portuguesa? Uma situação que requer medidas drásticas? Não.

Antes de pensarmos em penalização, devemos pensar em conscientização. No Brasil há um número gigantesco de analfabetos, iletrados e escolas com deficiência no ensino. Isso sem contar o desinteresse por parte da população em querer aprender mais.

“A Língua Portuguesa tem sido impunemente maltratada, inclusive em setores de bom nível. Dentre as causas da tão lamentável evidência, como a flagrante falência de nossas escolas, sobressai a quase inexistência entre nós do hábito de leitura. É maior do que se pensa o número de analfabetos funcionais no Brasil - pessoas que, no dizer do ensaísta Alberto Manguel, compõem um outro tipo de iletrado, que é caracterizado pela “atitude de desprezo” à cultura, mesmo sendo escolarizadas”, diz Hélio Eymard de Lima Barbosa Mello, o famoso professor Helinho, considerado o "anjo da guarda da língua portuguesa", que escolheu a missão de desmistificar as dificuldades da língua portuguesa, nas salas de aulas ou mesmo nas ruas de Belo Horizonte, onde vive.

Que medidas deveriam ser tomadas para tentar resolver estes problemas? Sem dúvida, uma melhoria na formação dos docentes responsáveis por garantir um ensinamento eficiente às crianças, adolescentes e adultos que freqüentam escolas do nosso país. Campanhas também seriam bem-vindas. Estimularia o interesse da maioria da população. Porém, esta mudança resolveria o mau uso gramatical da língua, mas e o excesso de estrangeirismos que toma conta da comunicação hoje em dia?

Quem nunca ouviu falar, por exemplo, da iniciativa do então deputado federal do PC do B (hoje ministro da Articulação Política) Aldo Rebello, em criar um projeto de lei (que foi aprovado pela Comissão de Educação) que dispõe sobre a proteção e a defesa do uso da língua portuguesa no Brasil? O projeto analisa a obrigatoriedade do uso da língua portuguesa na comunicação oficial em nosso país. Projeto polêmico que recebeu inúmeras críticas – positivas ou não.

Para Engel Paschoal, jornalista e especialista em Terceiro Setor - hoje uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, não é só no Brasil que o excesso de estrangeirismo acontece e, o uso de palavras estrangeiras também tem a ver com o mau uso da língua.

“Acho louvável a atitude do Aldo Rebello, mas não acredito que possam acontecer mudanças que se referem à língua. Temos não apenas uma quantidade enorme de estrangeirismo na nossa língua, como o uso dela é uma lástima. Quanto ao estrangeirismo, o problema não se limita ao Brasil. Até os franceses já sucumbiram ao uso de palavras estrangeiras. E olha que eles vivem lutando para resgatar o papel que o idioma de Napoleão já teve. Mesmo com pronúncia afrancesada, os compatriotas de Gustava Flaubert já incorporaram o "week end" e não sabem mais dizer na língua pátria como é fim de semana. E leve em conta toda a preocupação que os franceses têm em lutar contra a cultura e a política norte-americanas. Quais são as influências que o Brasil recebe hoje? Filmes americanos e livros do Harry Potter, tudo em inglês. Fora isso, temos uma cultura vinda dos EUA que influenciou nossas empresas, com seus “cases de marketing”. Para piorar, alguns metidos a besta que viram “sales off” nas ruas de Nova York e resolveram copiar aqui. Esse estrangeirismo está diretamente ligado ao problema do mau uso da nossa língua: nós não sabemos - nem temos muita gente preocupada em nos ensinar - a ler e a escrever. Portanto, é comum vermos engenheiros, médicos, presidentes de empresas, diretores de marketing e (por que não?) políticos escrevendo e falando com "menas" qualidade do que deveriam” .

O Dom Quixote da Língua Portuguesa, professor Helinho, ainda complementa:

“Numa postura de desinteresse pela Língua Portuguesa, reflexo da distorcida mentalidade de que “ser elite é estrangeirar-se”, tão palpável em nossa sociedade, desprezando o conhecimento do próprio idioma, tem conseguido, ao priorizar cursos de línguas estrangeiras, a estúpida façanha de se exprimir sofrivelmente em dois ou mais idiomas. Faz-se, portanto, imperiosa a valorização do idioma pátrio, da consciência de seu potencial expressivo, hoje vilipendiado por um asqueroso servilismo aos ditames da “metrópole.”

O projeto do senhor Aldo Rebello deveria ser, de certa forma, aplaudido. Mostra que ainda existem pessoas que se preocupam com as raízes do nosso país - Aldo Rebello não é o único. Estes projetos servem para mostrar que a nossa língua é bastante bela e alertar os que não sabem que a língua portuguesa é a 7a mais falada do mundo. Por que não conscientizar as pessoas que o seu mau uso prejudica a imagem que a própria população tem de seu país, população esta que prefere usar de americanismos ao optar pelo seu próprio idioma e que prefere arriscar sem, ao menos, consultar um dicionário? Mas o mais importante é conscientizar as pessoas que estas mudanças, para acontecerem, devem estar presentes no nosso dia-a-dia – principalmente na sala de aula, de uma forma que desperte o aluno a querer ser melhor e cuidar bem não só da natureza, mas sim e principalmente, da sua forma de comunicação.

 

criado por girli_e    23:59 — Arquivado em: Sem categoria

10/12/07

:: PaRa ALéM Da JuVeNtUdE ::

 

Para quem não sabe, Dr. Alessandro Loiola é, além de médico, palestrante, colunista (responsável por colunas de saúde no site BR Press e Estado de Minas), escritor e autor de três livros: Vida e Saúde da Criança, Crianças em Forma: Saúde na Balança e Para Além da Juventude, este último lançado nesta quarta-feira (21/11), no Terraço Leitura, do Shopping Pátio Savassi, em Belo Horizonte, MG.

Usando de linguagem simples (e explicando de maneira sábia os termos mais complicados para leigos), Loiola aborda temas que poderiam facilmente deixar qualquer ser humano consciente do processo “nascer, crescer, reproduzir e morrer” em pânico, de forma irreverente e positiva.

Como?

Logo de cara, o médico e escritor deixa claro que envelhecimento não é sinônimo de solidão, doença e muito menos de prostração. Pelo contrário.

Ele disseca cada capítulo (todos voltados às problemáticas mais comuns que fazem parte da terceira idade) com informações a respeito de cada possível enfermidade ou situação que nos acomete a partir dos 60 anos, num tom de bate-papo com o leitor, o que possibilita uma leitura de 496 páginas prazerosa e divertida.

Além de explicar, de maneira simplificada, do que se trata exatamente cada uma das “doenças” citadas no livro, Alessandro Loiola conscientiza o leitor de que certas medidas e precauções são as respostas-chave para retardar, amenizar ou até mesmo prevenir problemas mais sérios como a diabetes, a hepatite B, a hipertensão, problemas intestinais e cardiovasculares, desgaste de articulações e demência.

Os temas abordados em Para Além da Juventude estão organizados a partir do processo de envelhecimento e suas conseqüências gerais – onde há uma breve e inteligível explanação a respeito de radicais livres, cromossomos, resistência e doenças crônicas (onde o médico conclui com a divertidíssima pergunta “então é melhor você se enterrar?”), além do complemento “mitos e verdades”, que acompanha cada capítulo após a introdução.

Depois desse início, há as dissertações geniais sobre vacinas e imunização, alimentação (incluindo quais vitaminas estão presentes em cada grupo alimentar e seus benefícios), doenças comuns na terceira idade (com fatores de risco, curiosidades, tabelas, quadros informativos, precauções, tratamentos e dúvidas gerais) e um capítulo onde ele aborda a temática sexual de forma descontraída, clara e objetiva.

Ao final da leitura, pode-se afirmar que Para Além da Juventude, além de ser um livro com informações preciosas e fáceis de entender e consultar pode também se transformar num guia para quem leva a saúde, a maturidade e o bem-estar realmente a sério. Seja antes, seja durante a “melhor idade”.

criado por girli_e    19:16 — Arquivado em: Sem categoria

:: O pOrQuÊ dO mEu AmOr PoR EvA parte I ::

*

AMADA E ODIADA, PORÉM INESQUECÍVEL: EVA PERÓN

O peronismo – que se iniciou na Argentina em 1943, quando Juan Domingo Perón participou do golpe militar - não pode ser julgado como simples movimento político. É mais que isso: é um modo de viver, governar, constituir uma nação, integrar o povo na sociedade. É populismo, nacionalismo, demagogia, corrupção, democracia social. Pode ser tudo e nada; tudo para alguns (principalmente para os argentinos e descendentes desses argentinos responsáveis pelo forte apoio que em 1946 elegeu Perón presidente: os descamisados) e nada para outros (aqueles que eram contra o regime peronista, como por exemplo, as oligarquias).

Além disso, o peronismo tem em seu cerne Juan e Eva Perón (impossível falar sobre o movimento sem citar seus fecundantes), que criaram a doutrina aliando ideologias antagônicas (dos grupos direitistas, de centro e de oposição), produzindo e eternizando seu modelo oligárquico-conjugal, deixando de lado a vida pública do Estado.

Perón, filho de família simples, escolheu a carreira militar para garantir uma esfera de atividade e um nível social acima do que sua família poderia lhe oferecer. No posto de presidente, foi um ditador mascarado de populista – foi o caudillo messiânico latino desde o terremoto de 45, na cidade de San Juan (quando conheceu de vista, a bela Eva Duarte, atriz que ajudava na Colecta Nacional, um festival que a comunidade artística realizava em benefício das vítimas do terremoto que havia destruído a cidade) até seus últimos dias no poder político.

María Eva Ibarguren, filha ilegítima de Juan Duarte (opulento proprietário de terras, marido de Estela Grisolía), com Doña Juana Ibarguren, (que havia sido literalmente comprada pelo Senhor Duarte, em troca de um jumento e uma carroça), nasceu em 7 de maio de 1919 em Los Toldos, província de Buenos Aires, onde viveu grande parte de sua infância. Após a morte de seu pai, a família se muda para a cidade de Junín. Desde essa época, María Eva já ambicionava ser famosa e ir à tão sonhada Buenos Aires, ou Big Apple, como ela costumava dizer – segundo uma das mais politizadas biografias já escritas sobre ela, “Eva Perón”, de Nicholas Fraser (jornalista britânico que já trabalhou para a BBC, the Times e Sunday Times de Londres e é o autor de livros como “Voice of Modern Hatred: Tracing the Rise of Neo Facism in Europe”, ainda sem título em português) e Marysa Navarro (que hoje ocupa a cátedra Charles Collis de História em Dartmouth College, EUA, onde também exerce o cargo de diretora do Latin American, Latino and Caribbean Studies Program e já escreveu inúmeros artigos sobre o pensamento da direita na Argentina, mulher e o movimento operário, gênero e democratização, movimento feminista latino-americano e Eva Perón, sua perene paixão).

criado por girli_e    18:58 — Arquivado em: Sem categoria

:: O pOrQuÊ dO mEu AmOr PoR EvA parte II ::

 

(continuação…)

Tendo seu sonho concluído através de uma atitude responsável por mais tarde lhe render o título de prostituta (o primeiro dos muitos homens com os quais se relacionara, já era do meio artístico), é que as coisas passaram a funcionar conforme o seu planejado: chega a ter algum destaque como atriz - apesar de não ter maiores qualidades teatrais -, a sair em capas de revistas, a fazer o exórdio de um programa de rádio bastante popular e a atrair a atenção dos personagens mais influentes tanto do meio artístico, quanto do meio político. Enfim, conhece Perón pessoalmente. Inicia-se, desta forma, um dos romances mais políticos da história da América Latina.

 

Começa então, a história do mito admirável, cultural e de profundas raízes políticas e enorme força para milhões de argentinos: Eva Duarte de Perón, uma mulher forte e decidida; Eva Perón, primeira-dama; Evita, madre de los descamisados. E é dessa forma também, que começam a surgir as primeiras indagações: santa ou putana? Caridosa ou vingativa? Generosa ou ambiciosa?

Segundo Hector Nemirovsky, 63, argentino aposentado e presidente do Club Argentino de São Paulo, Eva era totalmente vingativa e ambiciosa. Compreendia o povo por ter sido o povo. “Aquele que alguma vez tenha lhe ajudado de uma maneira honesta, sobreviveu. Mas aqueles que alguma vez cobraram em espécie para ajudá-la a ser artista, ela não perdoou. Acabou com todos, sem dó nem piedade. Ela perseguia, pegava os bens; deixava na miséria…”, afirma o ex-engenheiro que vivenciou esta época juntamente com seus familiares, todos perseguidos por Perón. Apesar de ter sofrido diretamente com o Peronismo, ele não nega a força e as mudanças causadas na Argentina devido à atuação de Eva.

Tanto Hector quanto sua esposa, Alícia Nemirovsky, 63, têm a mesma opinião a respeito de Eva, e, quando perguntados do porquê haver tanta resistência de alguns argentinos para falar a respeito da ex-primeira-dama, dizem que não há resistência em falar dela, mas sim em falar bem dela. E ambos dão seus motivos para isso.

“Nunca fui muito religioso, mas ter minha casa marcada por uma estrela de Davi para identificá-la como uma casa de judeus e só ter me salvado porque Perón caiu, vai fazer com que eu não sinta um profundo amor pelo peronismo”, diz o presidente do Club.

Já Alícia diz que “antes de 1950, foi escrito “La razón de mi vida” [obra autobiográfica que se reduz à um relato apologista do peronismo em primeira-pessoa] . Era leitura obrigatória. Todo mundo na escola primária tinha estudar [o livro] uma hora todos os dias. Tínhamos que comprar e levá-lo todos os dias [à escola]”. Além disso, Alícia sofria por ter pais militantes no forte sindicalismo argentino, que foi sufocado e perseguido por Perón.

Além do casal, outro cidadão da República Argentina que se mostrou ferrenho opositor à Eva e Perón, mas que preferiu não entrar em detalhes devido à sua posição de diplomata foi Mariano Vergara, cônsul-adjunto do consulado da Argentina em São Paulo. Ao ouvir os nomes quando recebeu a proposta de entrevista, alterou seu tom receptivo de voz para um tom desconfiado e cheio de pudor, alegando não poder opinar a respeito de Eva por razões partidárias políticas e por ocupar um cargo de tamanha influência.

Eva Perón foi uma figura polêmica, e ainda exerce influência sobre a massa da população mais humilde da Argentina. Há os que a cultuam e os que a execram. E ambos os lados têm seus pretextos. Para o jornalista argentino Pedro Vilar, 66, que vive em Buenos Aires e faz caricaturas e desenhos nas ruas da capital para ajudar no orçamento, Eva fora uma mulher sensacional. “Para muitos, por ser atriz de teatro, era prostituta. Mas sua importância foi muito grande na política. Antes dela, as mulheres nem tinham direito ao voto, tinham que ser submissas aos seus maridos”.

criado por girli_e    18:56 — Arquivado em: Sem categoria

:: O pOrQuÊ dO mEu AmOr PoR EvA parte III ::

 

(continuando…)

Sem dúvida, Eva é um ícone de grande importância política e cultural em seu país; nunca foi, mesmo depois de morta, uma figura neutra. Sua imagem é inevitavelmente ligada ao movimento peronista feminino, ao populismo, às práticas políticas e empreendimentos realizados a favor da população carente (a Fundação de Ajuda Social María Eva Duarte de Perón, criou uma estrutura orgânica para a tarefa de assistência social que Evita vinha desenvolvendo desde 46). O antagonismo de sua extravagância com a pobreza de alguns grupos sociais que assistia, não a impedia de cativar a população. Mas ao mesmo tempo, criou por si só a imagem da mulher que usou Perón para chegar ao poder, odiada por militares e oligarcas; mulher que manipulava através de seus costumes e palavras.

Eva sempre chamou a atenção por suas façanhas e penteados; por seus discursos e jóias que usava; pela ousadia e Diors, Naletofs e Agostinos que compunham seu guarda-roupa. Dividia-se entre mostrar que era a favor dos pobres e, ao mesmo tempo, se satisfazia com o poder que tinha em suas mãos.

Amada e odiada, Evita, adoece por conta de uma leucemia. Após um período de agonia, falece aos 33 anos, exatamente às 20h25min do dia 26 de julho de 1952. Sua morte parou a República Argentina. A sociedade enfrentou um longo período de luto. Fotos suas substituíam imagens de santos em altares das casas. Virou santa logo após sua morte. Indicada, inclusive, à canonização. Durante 3 anos após sua morte – até a queda de Perón -, todos os dias, as rádios interrompiam suas programações às mesmas 20h25min de sua morte, para lembrar do momento em que Eva passara à imortalidade.

De acordo com todas as pesquisas feitas, livros, biografias, sites de internet, conversas e entrevistas com pessoas que conhecem muito ou pouco sobre o poderoso símbolo político do peronismo, chega-se à conclusão de que não se pode estabelecer um conceito definitivo sobre Eva Perón. Toda a sua curta história é marcada por meandros e detalhes únicos. Ela vem do nada e vai ao auge, atinge sonhos que nem a mais sonhadora das mentes poderia alvejar. Sabiamente usa o seu poder para atender aos que precisam, mas ao mesmo tempo não se priva de descarregar sua raiva sobre os que se opõe a ela ou a Perón. Somente sua influência é indiscutível. Isso se prova com três pontos turísticos que hoje estão diretamente ligados à sua imagem: o Museu Evita, que foi criado com o ideal de fazer um retrato histórico de sua vida, o cemitério da Recoleta, onde está a cripta da família, que recebe ainda hoje, visitas de gente do mundo todo, e a Casa Rosada, todos em Buenos Aires.

Mas nenhum desses lugares são indispensáveis para se guardar e resgatar a história de Eva Perón. O imaginário popular é a recordação mais forte e inexorável que existe. O museu, o cemitério, a Casa Rosada podem todos sumir um dia.

Feminilizada de uma forma bastante essencialista, loira, cabelos sempre presos de uma forma conservadora, porém atraente, traços delicados e ao mesmo tempo ameaçadores por causa do perigo que representava para los ricos, como chamava os poderosos, Evita, madre de los descamisados, sempre teve uma aura que mistura, de certa forma, a extravagância de uma atriz hollywoodiana e a força de uma operária, a doçura de um anjo e o poder e influência de um demônio. Mulher inesquecível.

A lembrança de Evita permanece até hoje. Não tem limites. Ainda mais pelo fato de que nenhum governo civil, até hoje, permitiu que o peronismo fosse esquecido.

A dicotomia ainda existe. E perdura. Não morrerá jamais.

 

criado por girli_e    18:54 — Arquivado em: Sem categoria

:: TiRo O mEu ChApéU… ::

 

… para Cristina Fernández de Kirchner, que assumiu hoje a presidência da Argentina.

 

Peronista (eu simplesmente admiro muito a história de Eva Perón…), MULHER, eleita pelo voto direto, a PRIMEIRA na história do país.

 

Para ela, eu estenderia um tapete vermelho por esta conquista.

 

Só espero que ela saiba fazer a parte dela e se superar. Que não seja uma "Luíza Erundina" da vida, que ganhou uma eleição pelo simples fato de ser mulher e se destacar por isso, mas que no final, não soube fazer PORRA nenhuma.

 

Que Cristina seja presidente, seja mulher e seja digna!

 

Pelo menos.

 

 

 

criado por girli_e    18:35 — Arquivado em: Sem categoria
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