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14/12/07

:: A gEnTe TaMoS PrEciSaNdO ::

 

 

PRECISA-SE DE TRADUTOR E CORRETOR ORTOGRÁFICO
Na sua atual forma, a nossa língua portuguesa é invadida por estrangeirismos e erros fatais que causam polêmica

 

“Bom dia. Senhor Gonçalvez, por favor?”

“Ele está em uma reunião de business agora. Quem é?”

“Suzana.”

“Suzana, vou estar passando o recado para ele e assim que ele puder, te liga, okay?”

Okay. Preciso saber se ele vai fazer o pedido das bobinas, pra mim fazer o recibo.”

“Tudo bem. Com certeza ele estará entrando em contato.”

Numa conversa, de apenas alguns minutos, mesmo entre pessoas bem informadas, podem acontecer deslizes, sejam eles gramaticais ou não. Os deslizes não são prioridade das pessoas “iletradas”. Tudo contribui: desleixo, escassez de leitura, falta de atenção e até influência de línguas estrangeiras.

Na conversa acima, podemos notar tudo isso. Primeiro, a influência dos estrangeirismos, que na verdade, não assustam ninguém, tão parte da nossa língua que já são. Por que não dizer “negócios” ao invés de “business”? Ou “certo” ao invés de “okay”? E por que as pessoas nunca aprendem (ou se lembram) que “mim” é pronome oblíquo e não conjuga verbo – esta tarefa está sob comando do “eu”, pronome pessoal. E a grave influência da gerundização, que vem da língua inglesa? “Vou estar passando o recado” ao invés de “vou passar o recado”? Ou “ele estará entrando em contato” ao invés de “ele entrará em contato”?

Tudo isso deveria ser classificado como? Uma afronta à língua portuguesa? Uma situação que requer medidas drásticas? Não.

Antes de pensarmos em penalização, devemos pensar em conscientização. No Brasil há um número gigantesco de analfabetos, iletrados e escolas com deficiência no ensino. Isso sem contar o desinteresse por parte da população em querer aprender mais.

“A Língua Portuguesa tem sido impunemente maltratada, inclusive em setores de bom nível. Dentre as causas da tão lamentável evidência, como a flagrante falência de nossas escolas, sobressai a quase inexistência entre nós do hábito de leitura. É maior do que se pensa o número de analfabetos funcionais no Brasil - pessoas que, no dizer do ensaísta Alberto Manguel, compõem um outro tipo de iletrado, que é caracterizado pela “atitude de desprezo” à cultura, mesmo sendo escolarizadas”, diz Hélio Eymard de Lima Barbosa Mello, o famoso professor Helinho, considerado o "anjo da guarda da língua portuguesa", que escolheu a missão de desmistificar as dificuldades da língua portuguesa, nas salas de aulas ou mesmo nas ruas de Belo Horizonte, onde vive.

Que medidas deveriam ser tomadas para tentar resolver estes problemas? Sem dúvida, uma melhoria na formação dos docentes responsáveis por garantir um ensinamento eficiente às crianças, adolescentes e adultos que freqüentam escolas do nosso país. Campanhas também seriam bem-vindas. Estimularia o interesse da maioria da população. Porém, esta mudança resolveria o mau uso gramatical da língua, mas e o excesso de estrangeirismos que toma conta da comunicação hoje em dia?

Quem nunca ouviu falar, por exemplo, da iniciativa do então deputado federal do PC do B (hoje ministro da Articulação Política) Aldo Rebello, em criar um projeto de lei (que foi aprovado pela Comissão de Educação) que dispõe sobre a proteção e a defesa do uso da língua portuguesa no Brasil? O projeto analisa a obrigatoriedade do uso da língua portuguesa na comunicação oficial em nosso país. Projeto polêmico que recebeu inúmeras críticas – positivas ou não.

Para Engel Paschoal, jornalista e especialista em Terceiro Setor - hoje uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, não é só no Brasil que o excesso de estrangeirismo acontece e, o uso de palavras estrangeiras também tem a ver com o mau uso da língua.

“Acho louvável a atitude do Aldo Rebello, mas não acredito que possam acontecer mudanças que se referem à língua. Temos não apenas uma quantidade enorme de estrangeirismo na nossa língua, como o uso dela é uma lástima. Quanto ao estrangeirismo, o problema não se limita ao Brasil. Até os franceses já sucumbiram ao uso de palavras estrangeiras. E olha que eles vivem lutando para resgatar o papel que o idioma de Napoleão já teve. Mesmo com pronúncia afrancesada, os compatriotas de Gustava Flaubert já incorporaram o "week end" e não sabem mais dizer na língua pátria como é fim de semana. E leve em conta toda a preocupação que os franceses têm em lutar contra a cultura e a política norte-americanas. Quais são as influências que o Brasil recebe hoje? Filmes americanos e livros do Harry Potter, tudo em inglês. Fora isso, temos uma cultura vinda dos EUA que influenciou nossas empresas, com seus “cases de marketing”. Para piorar, alguns metidos a besta que viram “sales off” nas ruas de Nova York e resolveram copiar aqui. Esse estrangeirismo está diretamente ligado ao problema do mau uso da nossa língua: nós não sabemos - nem temos muita gente preocupada em nos ensinar - a ler e a escrever. Portanto, é comum vermos engenheiros, médicos, presidentes de empresas, diretores de marketing e (por que não?) políticos escrevendo e falando com "menas" qualidade do que deveriam” .

O Dom Quixote da Língua Portuguesa, professor Helinho, ainda complementa:

“Numa postura de desinteresse pela Língua Portuguesa, reflexo da distorcida mentalidade de que “ser elite é estrangeirar-se”, tão palpável em nossa sociedade, desprezando o conhecimento do próprio idioma, tem conseguido, ao priorizar cursos de línguas estrangeiras, a estúpida façanha de se exprimir sofrivelmente em dois ou mais idiomas. Faz-se, portanto, imperiosa a valorização do idioma pátrio, da consciência de seu potencial expressivo, hoje vilipendiado por um asqueroso servilismo aos ditames da “metrópole.”

O projeto do senhor Aldo Rebello deveria ser, de certa forma, aplaudido. Mostra que ainda existem pessoas que se preocupam com as raízes do nosso país - Aldo Rebello não é o único. Estes projetos servem para mostrar que a nossa língua é bastante bela e alertar os que não sabem que a língua portuguesa é a 7a mais falada do mundo. Por que não conscientizar as pessoas que o seu mau uso prejudica a imagem que a própria população tem de seu país, população esta que prefere usar de americanismos ao optar pelo seu próprio idioma e que prefere arriscar sem, ao menos, consultar um dicionário? Mas o mais importante é conscientizar as pessoas que estas mudanças, para acontecerem, devem estar presentes no nosso dia-a-dia – principalmente na sala de aula, de uma forma que desperte o aluno a querer ser melhor e cuidar bem não só da natureza, mas sim e principalmente, da sua forma de comunicação.

 

criado por girli_e    23:59 — Arquivado em: Sem categoria

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