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15/12/07

:: FiLmEs MoDeRnOs ::

 

Moderno.

Segundo o ilustríssimo dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (língua falada não somente no Brasil, mas em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal, acreditem ou não!), moderno é o pertencente à época histórica em que se vive, seja a década ou o século atual.

Pode também ser o que possui características contemporâneas.

Ou que representa o gosto dominante da época.

Ou também o que cujas características refletem tendências contemporâneas ou avanços tecnológicos e científicos.

Sim, sim, sim.

Clap clap clap para o moderno!

Sendo o moderno tão moderno, você, que é taxado de cinéfilo (olha as grandes obras da língua aí: o vocabulário…), termo usado para definir alguém que ama o cinema como arte ou forma de lazer, que se interessa por sua evolução e suas realizações (segundo Houaiss, pode confiar!), há de saber que cinema moderno é o que há.

Nossa! Que jargão horrível!

Jargão: linguagem alterada por perturbações patológicas de natureza afásica.

Enfim… Vamos continuar. Não queremos perder o fio da meada (!!!)

Enfim… Vamos continuar. Não queremos perder o fio da meada (!!!)

Esse texto é, definitivamente, um texto sobre cinema ou funções da língua?

(suspiro…)

(mais um…)

Enfim (parte II)…

O que podemos considerar cinema moderno? Termo complexo esse. Pode ser entendido de várias formas por variadas pessoas.

Há filmes antigos que podem ser considerados cinema moderno.

Lembremos da definição de Houaiss “pertencente à época histórica em que se vive, seja a década ou o século atual”. Ponto final.

Filmes modernos… Vamos pensar.

Alguns acham que filmes modernos são os que possuem em sua essência tecnologia, efeitos especiais e ficção científica.

Outros preferem crer que sejam os que dissertam em suas entrelinhas a respeito do futuro.

Alguns outros acreditam que filmes modernos sejam aqueles que, ou te fazem quebrar a cabeça para entender, ou os que são à frente do nosso tempo de uma forma que não fazem sentido algum sequer.

Filmes modernos também podem ser aqueles que mostram uma história que ninguém jamais pensou. Ou aqueles que são adaptações ou remakes de filmes já estrelados antes, mas com um toque a mais que atraia as multidões aficionadas pela tela gigante.

Mas é isso! Filme moderno é tudo isso e mais! Mais do que qualquer outra definição que você tenha em mente.

E disso tudo, desse emaranhado de definições para filmes modernos, ouso listar os que se adaptam a essa trajetória ‘cinefílica’.

Uns recomendadíssimos. Outros nem tanto. Mas todos valem a pena, por um motivo ou por outro.

Descubra o seu!

E faça a sua lista!

- Assassinos por natureza;
- Kill Bill Vol.1 & 2 (Quentin Tarantino disparado!);
- Cães de aluguel;
- Helter-Skelter;
- Star Wars;
- Donnie Darko;
- Party Monster;
- A vida de David Gale;
- O Massacre da Serra Elétrica;
- Jogos mortais;
- Willy Wonka e a Fantástica Fábrica de Chocolate (versões com Gene Wilder e Johnny Depp);
- Nove Rainhas;
- Má Educação;
- Closer;
- Os Excêntricos Tenembauns;
- Encontros e Desencontros;
- Corra Lola, Corra;
- Apocalypse Now;
- Amnésia;
- A onda (quem encontrar e conseguir ver, terá chegado ao final do arco-íris, no pote de ouro!);
- Laranja Mecânica;
- O Cubo Zero, 1 e 2;
- O bebê de Rosemary;
- Virgens Suicidas,
- Dogville;
- Elefante;
- Em carne viva;
- Madrugada dos mortos;
- Horror em Amityville;
- A trilogia de Hannibal;
- Tirésia;
- Os normais;
- Abril Despedaçado;
- Monster;
- Velvet Goldmine;
- O iluminado;
- Hedwig and The Angry Inch;
- Herói;
- Mulholland Drive;
- Império dos Sonhos;
- Império dos Sentidos;
- Suspiria…

E a lista não pára…

Retrógradas.

Essas ‘películas’ não o são!

criado por girli_e    0:57 — Arquivado em: Sem categoria

:: MiNhA LiBeRtAçÃo ::

 

 

Ando muito nostálgica esses dias. Nostálgica, pensativa, questionadora, inquieta.

 

Por esse motivo, resolvi postar aqui alguns textos meus mais antigos, que me trazem boas memórias. Me trazem os cheiros dos momentos que vivia quando os escrevi.

 

Momentos em que fui ao teatro assistir à  "OTELO", de William Shakeaspeare, com direção de Marco Antônio Rodrigues, e me acabei de emoção, de suspiros, de sorrisos acobertando minha face. Como eu gostaria que a peça ainda estivesse em cartaz para eu poder recomendá-la de verdade…

 

Momentos como quando fui ao teatro Augusta assistir "O 3o. Travesseiro", com direção de Stevan Lekitsch (baseado no livro de mesmo nome, de Nelson Luiz de Carvalho). Eu já tinha lido o livro e chorado horrores, ficado deprimida por semanas e compartilhado comentários com amigos que também já o tinha lido.

 

Já havia me emocionado com aquele história toda, me identificado demasiadamente de certa forma (sim, NUNCA é fácil enfrentar situações de preconceito, sejam essas situações causadas por quem for…). Nossa! Loucura! Loucura reviver tudo mais uma vez naquele teatro ao lado de dois seres humanos que me compreendiam explosivamente.

 

Momentos em que escrevi sobre a nossa língua, assunto que me frustra, me emociona, me intriga e me traz sempre tanta paixão. Amo cada letra do alfabeto, cada sílaba formada por elas, cada palavra, cada tudo…

 

Enfim… Tão nostálgica que resolvi despejar tudo aqui… Sem cuidados, sem cautela. Despejei mesmo. São meus. E não estão bagunçando o caminhar de ninguém. Despejei mesmo! (risos).

criado por girli_e    0:30 — Arquivado em: Sem categoria

:: O tErCeiRo TrAvEsSeiRo ::

 

 

O PALCO COMOVE? NÃO. A PLATÉIA, SIM.

 

Quem nunca ouviu falar no livro homônimo de Nelson Luiz de Carvalho, O Terceiro Travesseiro? Em sua nona edição, o livro se transformou num fenômeno entre a comunidade GLTB (gays, lésbicas, transsexuais e bissexuais), descolados e curiosos, com mais de duzentos mil exemplares vendidos desde 1998, ano de seu lançamento.

Abordando temas como homossexualidade e bissexualidade, amor, gravidez e preconceitos, o trabalho de Nelson inspirou o diretor Stevan Lekitsch a produzir uma peça de teatro baseada na história impactante que o livro possui.

De acordo com os produtores e elenco, o espetáculo foi o quarto mais visto na temporada paulistana de 2005, perdendo somente para produções encabeçadas por Paulo Autran e Antônio Fagundes.

O elenco (que é composto também pela atriz Alessandra Begliomini, uma das ex-participantes do reality show Big Brother Brasil) encanta por sua aparente inocência. Há uma química entre os atores, mas nada que cause grande impacto – não pelo menos para os espectadores que não se identificam com os personagens.

O que comove, na verdade, é o fato da projeção do público ser tão aberta e profunda. Não a atuação em si, ou o cenário em si. O que toca é o sentimento; a produção em si, deixa a desejar. O sucesso ocorre porque o público gay é fiel, nada mais.

Para quem leu o livro e faz parte de um dos grupos que compõem o GLTB, o impacto é devastador, mas por motivos anteriores ao da peça. Tudo se remete à vida real – os preconceitos já sofridos, a aceitação (ou não) da família, as dificuldades por ser julgado diferente ou inapropriado, a briga com o seu ‘eu’. O livro, durante e ao final, causa rios de lágrimas, falta de ar, peso – se você se projeta. É forte, real. A realidade machuca, dói por vezes.

No teatro, apesar de a produção não ser uma das melhores já apresentadas no teatro Augusta, por remeter à toda essa avalanche de ações, reações e emoções, leva o público à identificação imediata, de seres que já conhecem a história das folhas de um livro e da vida real, e ao ver pessoas de carne e osso tocando neste assunto que já foi encarado duas vezes de duas formas distintas porém similares, o choque acaba sendo grande e causando quase que uma centena de pessoas a deixar a sala com lenços de papel nas mãos.

A iluminação não faz diferença. A atuação, idem. Os mini-filmes por entre os blocos, o mesmo. O tema trabalha por si só.

Para os curiosos, digo eu, que conheço muito bem este assunto, há a possiblidade de se emocionar: mais com a emoção dos outros do que pela peça em si.

criado por girli_e    0:15 — Arquivado em: Sem categoria

:: EnTrEgA SuOr E tRaGéDiA ::

 

 

ENTREGA, SUOR E TRAGÉDIA – O OTELO DO GALPÃO

Um pouco diferente do Otelo das páginas dos ensaios de Shakeaspeare ao qual estamos acostumados – considerando uma maioria de leitores, creio eu e assim como eu, um imaginário de homem exótico, durão, militar agressivo e ciumento – o Otelo da peça dirigida por Marco Antonio Rodrigues exala um encantamento e comoção tais que há de se esquecer de certa forma os adjetivos ‘pejorativos’.

Juntamente com sua amada, Desdêmona, Otelo cria como ator e personagem uma ligação nada distante com os espectadores que estão ali, sentados ao redor daquilo que não é um palco – e sim, chão. As mini-arquibancadas móveis também fazem certo sentido nesta troca de sentimentos angustiantes que há durante os 180 minutos de apresentação, entre elenco e platéia. O público sente que faz parte – as trocas de lugares, a água que espirra, a gota de suor que é vista a um palmo dos olhos, o grito que ecoa nos ouvidos, o trabalho de luz e transformação dos objetos.

A história é, basicamente, a que se conhece. Sim, é William Shakeaspeare, não é nenhuma adaptação modernista ou desafiadora da obra do mestre inglês. O detalhe da diferença se dá pela atmosfera que é criada, pelo calor dos atores, pela entrega de quem pagou para ver.

O ritmo não cansa – correria, personagens no chão, nas escadas laterais, na sacada acima de nossas cabeças, as cenas por entre vidros. O barulho do pé descalço no chão. E mesmo que a tendência fosse cansar, há os 15 minutos de descanço. Sair do teatro, fumar um cigarro, esticar as pernas, subir para o andar miniatura e comprar sanduíches naturais, bebidas saudáveis, gomas de mascar e chocolates. De volta à realidade-ficcional.

 
Otelo transpira cataratas. E isso atrai. O contato, a mistura de peles e etnias – Desdemona cor da manhã e o militar-protagonista, cor da noite. Detalhe que embeleza a olhos nus. Iago, o inimigo. Criada, a nua. A emoção é sentida em cada partícula de ar.

Esse trabalho de Marco Antônio, com cara de alternativo, de baixa-produção, é o toque de requinte sem ser clichetizado. E o custo espanta: assisitr a uma boa peça de teatro em São Paulo por menos de R$50,00 é duvidoso. Por Otelo, Desdêmona, Iago e Marco, não é.

Recomendadíssimo.

 

Otelo, de W. Shakespeare.

Direção: Marco Antônio Rodrigues.

180 minutos (15 minutos de intervalo)

criado por girli_e    0:08 — Arquivado em: Sem categoria
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