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15/12/07

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O PALCO COMOVE? NÃO. A PLATÉIA, SIM.

 

Quem nunca ouviu falar no livro homônimo de Nelson Luiz de Carvalho, O Terceiro Travesseiro? Em sua nona edição, o livro se transformou num fenômeno entre a comunidade GLTB (gays, lésbicas, transsexuais e bissexuais), descolados e curiosos, com mais de duzentos mil exemplares vendidos desde 1998, ano de seu lançamento.

Abordando temas como homossexualidade e bissexualidade, amor, gravidez e preconceitos, o trabalho de Nelson inspirou o diretor Stevan Lekitsch a produzir uma peça de teatro baseada na história impactante que o livro possui.

De acordo com os produtores e elenco, o espetáculo foi o quarto mais visto na temporada paulistana de 2005, perdendo somente para produções encabeçadas por Paulo Autran e Antônio Fagundes.

O elenco (que é composto também pela atriz Alessandra Begliomini, uma das ex-participantes do reality show Big Brother Brasil) encanta por sua aparente inocência. Há uma química entre os atores, mas nada que cause grande impacto – não pelo menos para os espectadores que não se identificam com os personagens.

O que comove, na verdade, é o fato da projeção do público ser tão aberta e profunda. Não a atuação em si, ou o cenário em si. O que toca é o sentimento; a produção em si, deixa a desejar. O sucesso ocorre porque o público gay é fiel, nada mais.

Para quem leu o livro e faz parte de um dos grupos que compõem o GLTB, o impacto é devastador, mas por motivos anteriores ao da peça. Tudo se remete à vida real – os preconceitos já sofridos, a aceitação (ou não) da família, as dificuldades por ser julgado diferente ou inapropriado, a briga com o seu ‘eu’. O livro, durante e ao final, causa rios de lágrimas, falta de ar, peso – se você se projeta. É forte, real. A realidade machuca, dói por vezes.

No teatro, apesar de a produção não ser uma das melhores já apresentadas no teatro Augusta, por remeter à toda essa avalanche de ações, reações e emoções, leva o público à identificação imediata, de seres que já conhecem a história das folhas de um livro e da vida real, e ao ver pessoas de carne e osso tocando neste assunto que já foi encarado duas vezes de duas formas distintas porém similares, o choque acaba sendo grande e causando quase que uma centena de pessoas a deixar a sala com lenços de papel nas mãos.

A iluminação não faz diferença. A atuação, idem. Os mini-filmes por entre os blocos, o mesmo. O tema trabalha por si só.

Para os curiosos, digo eu, que conheço muito bem este assunto, há a possiblidade de se emocionar: mais com a emoção dos outros do que pela peça em si.

criado por girli_e    0:15 — Arquivado em: Sem categoria

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