:: MiL oLhArEs ::

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28/5/08

:: o PiOr ::

 

É incrível como cada pessoa é uma pessoa mesmo.

Desde que perdi meu pai, tenho ouvido: "seja forte", "a dor vai passando com o tempo, fica a saudade", "vai dar tudo certo", "é a vida" etc etc etc…

Mas o que eu sinto é que a cada dia a dor piora, a tristeza aumenta, o meu rumo se perde cada vez mais. Eu não me encontro. Me vejo em meu pior pesadelo. Nunca imaginei ter que passar por tantas perdas ao mesmo tempo em tão pouco tempo, me sentindo totalmente perdida, sem base sólida alguma que eu possa encontrar para me segurar.

A dor aumenta a cada dia e a cada dia eu desejo que nada disso fosse assim.

A cada dia eu foco meu pensamento na idéia de que eu abriria mão de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo para que não tivesse que ser assim.

Sinto minha alma perdida, meu coração dilacerado e me dá vontade de gritar, de sair correndo e sumir em um mundo em que eu possa saber dominar meus sentimentos e minhas dores e traçar o meu futuro agora com mais certeza.

Sinto tanta falta do meu pai. Do seu carinho, das suas palavras, das suas conversas comigo diariamente. Sinto falta de vê-lo esperando por mim no quintal da minha casa, em companhia da minha cachorrinha.

Sinto falta de acordar super cedo e ficar acordada na cama, fingindo estar dormindo, só por ter a certeza que ele viria me chamar, mesmo sabendo que sempre acordei sozinha. Eu ouvia seus passos em direção ao meu quarto e já pensava: "Lá vem o meu paizão, me acordar, como se eu fosse uma criança ainda". E esta ação dele já me dava um motivo para abrir o meu sorriso logo pela manhã, por mais chuvosa ou preguiçosa que fosse.

Sinto falta de brigar com ele para ele baixar a tampa do vaso sanitário e ele rir da minha cara, num tom "ai, essa menina….".

Sinto falta dos discursos dele sobre política, futebol… Ele sempre soube o quanto eu não curtia esses assuntos, mas achava importante eu aprender e insistia. E por mais que eu não gostasse, gostava de ouvir ele falar. E ele falava. Sem parar… E era o melhor! Sabia tudo e de tudo!

A dor é infinita e me perco em pensamentos, na certeza que vou voltar para casa e ele estará lá. Certeza de acordar e vê-lo tomando o cafezinho de sempre na cozinha e acendendo o cigarro (motivo para eu pegar no pé dele sempre!!!).

Sinto que minha vida nunca mais será a mesma e que uma dor eterna me acompanhará.

Sinto que esse vazio nunca vai me deixar.

Sinto que tudo isso é uma PUTA de uma mentira horrível e injusta.

Não sei para onde correr. Me sinto completamente sozinha, por mais q não esteja. Sinto que não sinto.

Eu só quero o meu pai de volta. Aqui, comigo. Me acompanhando como sempre, cuidando de mim, me abraçando, perguntando sempre "vc me ama, minha din-din"?, "aff, que calor… seu paizão tá fedido?". Eu quero continuar dizendo: "claro que eu t amo!" e "vc nunca tah fedido!".

Quero meu pai no meu casamento, me entregando ao homem da minha vida. Quiero meu pai avô, curtindo meus filhos, netos dele. Quero o meu jornalista, meu herói, meu paizão de volta.

Quero o meu pai de volta para mim. Agora.

Meu pesadelo. O pior da minha vida.

O pior.

criado por girli_e    21:43 — Arquivado em: Sem categoria

:: VoLtEi e… SoU OuTrA ::

 

Sim…

Estou de volta.

De volta a este espaço, mas não sou mais a mesma. E nunca voltarei a ser.
Não sei se é bom ou ruim. Mas este não é o momento em que estou preocupada com isso. Tenho muitas outras coisas para me preocupar… Voltar a ter a minha vida somente minha novamente, por exemplo.

Eu sou uma mulher em milhões de pedaços agora. Me perdi e ainda não me encontrei. E não tenho a menor idéia de quando isso acontecerá… Antes, preciso curar a minha dor. As minhas dores.

Me defino como mulher cheia de dores e sem nenhuma emoção neste momento. E me espanto. Muito. Por isso disse ser outra…

Sou outra porque não sei onde estou e quem sou.

Sou outra porque assumi uma posição na minha vida que nunca foi minha, que não queria que fosse minha, que jamais imaginei ser minha um dia…

Sou outra porque assisto a filmes ou seriados que me fariam com certeza chorar rios de lágrimas há um tempo atrás, mas que agora não me fazem sentir a menor emoção. Me sinto feita de aço.

Sou outra porque não tenho mais o mesmo sono de antes e porque consigo acordar super cedo sem sofrimento. Geralmente porque nem cheguei a dormir…

Sou outra porque no meio desta multidão de amigos que tenho, de pessoas que me amam, me sinto só.

Sou outra porque tenho medo do que o amanhã me reserva.

Sou outra porque parece que neste momento tenho 100 anos a mais do que na verdade tenho. Não fisicamente. Na alma.

Sou outra porque me sinto indiferente com o mundo.

Sou outra porque não tenho mais prazer em devorar guloseimas, dipas, bebidinhas e afins.

Sou outra porque não sei neste momento o que é amar. E tudo que eu sempre fiz na minha vida toda foi amar. A torto e a direito. A tudo e a todos.

Sou outra porque estou aqui sem estar aqui de verdade.

Sou outra porque vivo um pesadelo.

Sou outra porque perdi o homem mais importante da minha vida. O homem que eu jamais imaginei poder perder. O meu melhor amigo, o meu guardião, meu “carinha”, meu “mano veio”, meu exemplo, meu suporte para a vida, meu roqueiro gostosão, meu lindão…

Meu pai.

Meu paizão, como eu o chamava sem vergonha.

Sou outra, porque pela primeiríssima vez na minha vida toda, não sei o que fazer e nem que caminho percorrer.

Sou outra.

Sou ninguém.

 

 - eu, mamãe e paizão no nosso último natal juntos, dez/07 -

criado por girli_e    21:38 — Arquivado em: Sem categoria
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