19/6/08
:: CiNtUrÃo VeRmELho - ReDBeLt ::
Filme tenta colocar em cheque ética e moral. Mas não convence.
David Mamet, diretor e produtor de cinema e teatro, é amplamente conhecido no mundo artístico por suas características peculiares de diretor durão, prático, que se destaca pela unicidade dos diálogos desenvolvidos em seus filmes e pela ousadia em suas narrativas – tanto em longas quanto no teatro. Um excelente exemplo é o filme “O Veredito”, da década de 1980, além de inúmeros romances publicados por ele, onde as mesmas características podem ser observadas.
Cinturão Vermelho (Redbelt/2008), sua última produção a ser exibida nas salas de cinema nacionais a partir do dia 20 de junho, teria tudo para dar certo - pelo menos na visão do público brasileiro, que se empolga com o fato de haver duas grandes estrelas “nossas” (Rodrigo Santoro e Alice Braga) atuando em solo americano.
Mas não. O filme não dá certo e nem empolga. Faz rir – mesmo que não intencionalmente. E não emociona - apesar da sutil percepção que podemos ter de que muito provavelmente, ele fora feito para causar emoções na audiência, nem que fosse um pouquinho. Em vão.
Rodado em ambientes que se dividem entre cores pálidas e quentes, o longa-metragem de David Mamet lembra em muitos momentos o formato de filmagem de “Cidade Baixa” (filme de Sérgio Machado, que foi lançado em 2005 e que conta com a participação de Alice Braga, Lázaro Ramos e Wagner Moura). Em outros momentos, nos faz pensar ser somente um filme nacional de baixo orçamento.
"Redbelt" conta a história de um professor de Jiu-Jitsu, Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), que é também o proprietário de uma academia especializada no ensinamento da arte marcial, localizada no west side de Los Angeles.
Terry, que é casado com a brasileira Sondra (Alice Braga), mulher determinada, independente e responsável pela renda principal da casa, é um discípulo que defende ferozmente a moral e o código de honra que envolvem a história do Jiu-Jitsu – muitas vezes de uma forma puritana e até ingênua, se comparado aos homens de negócios que estão por trás de todos os acontecimentos públicos que promovem as competições – entre eles Bruno Silva (Rodrigo Santoro), irmão de sua esposa.
Após se envolver inusitadamente numa trama repleta de intriga, traições e inverdades e num mundo onde se defende a questão de que “somente quem não tem família para sustentar é que pode ser honesto”, Mike Terry decide, por honra e necessidade financeira, se inscrever num torneio de vale-tudo, onde grandes nomes das artes marciais estarão presentes. E é exatamente neste momento em que ele se coloca à prova de todas as suas frustrações. Mas não da forma que a gente espera. Não como espectador.
No que parece ser o clímax do filme, há espaço apenas para grandes buracos na história, deixando diálogos perdidos no ar, situações inacabadas e cenas em que detalhes seriam cruciais para o complemento da fórmula, mas que não acontecem. Quem espera grandes lutas, momentos de completo êxtase com artes marciais e muita ação, comprou o peixe errado. E a certeza vem no final – algo entre forçado, esperado e cômico.
A criação de David Mamet não passa de um drama mal elaborado na visão de quem esperava um algo a mais. Mas não há somente elementos ruins. A trama, honestamente, não merece galanteios. Mas há o que se salva: uma trilha sonora bem brasileirinha, atuações grandiosas de Chiwetel Ejiofor e Tim Allen, a satisfação da beleza, do carisma e do poder artístico de Alice Braga, que parece ter vindo para arrasar, e o rostinho bonito mas ordinário de Rodrigo Santoro, encarnado em um personagem de caráter bastante duvidoso, mostrando, mesmo que sutilmente, que ele merece a atenção que possui.
Assim sendo, é inegável dizer que há o que vale a pena nesta produção. Nem que seja para confrontar críticas que vão surgir ao redor do globo. Mas as expectativas não devem ser altas – ou isso causará um grande mal à saúde cultural de quem se dispor a acompanhar as quase duas horas da narrativa de Mamet. Duas horas que poderiam ser reduzidas facilmente pela metade.

foto de Eliane Maciel - todos os direitos reservados
criado por girli_e
2:01 — Arquivado em: 

Eliane,
You are the best. Parabéns, fazendo a leitura do que você escreveu parece que a gente está até presente na entrevista de tão clara, precisa, detalhada, interessante e de um excelente português. As fotos estão maravilhosas. Quanto à critica do filme, está tão bem escrito e claro que dá vontade de assistir ao filme, não por ele parecer legal, mas pelo que você narrou da estória é um tanto curioso.
Comentário por Juvete — 25 25UTC junho 25UTC 2008 @ 10:57