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2/8/08

:: A CoLeTiVa De EnCaRnAçÃo Do DeMôNiO parte II ::

 

JMM prossegue contando que seguiu sua vida com a escolinha de cinema, fazendo “negócios em vídeo”, pois “é só isso que eu sabia e sei fazer na minha vida”, complementa.

Parecia que o fim havia chegado, que “Encarnação” não aconteceria. Afinal, décadas já tinham se passado. JMM fez um comercial para a televisão (NET Filmes), “só pelo prazer de atuar, estar de frente à câmera e ver aquele microfone acima da minha cabeça para captar a minha voz”. Após um tempo, foi quando veio o telefonema do roteirista Dennison Ramalho, que queria apresentar o Paulo Sacramento para o Mojica e discutir a possibilidade de fazer terror juntos. Mas até então “nada de comentarem do filme”. Foi aí que Mojica sugeriu e eles acataram a idéia. O filho de JMM, que é advogado, deu todo o apoio para ele aceitar a proposta, Dennison trouxe até ele um roteiro pequeno em formato de Bíblia com HQ. Êxtase.

Após muita persistência, receberam uma verba de R$500mil. JMM diz que saiu da sala de reuniões e renasceu, acreditando, pela última vez, que era a hora de tudo dar certo. Receberam o prêmio do presidente Lula, do edital para filmes de baixo orçamento, foram ao Rio de Janeiro, ganharam mais verba, tiveram então uma reunião com os irmãos Gullane e tudo começou, de fato, a acontecer.

“O roteiro foi mudado nove vezes em nove meses, resultando no que hoje é o ‘Encarnação’ de verdade. Pela primeira vez na minha vida, tive carta branca para trabalhar com a equipe que eu escolhesse, com os atores, figurantes, técnicos que eu quisesse”, disse José Mojica Marins. E o sonho tornava realidade. Ele mesmo diz que quando tomou a frente das filmagens e fez tudo acontecer, sua vitalidade retornou.

“Pedi gente esquisita, apareceram. Pedi gente feia, vieram. Quis um cara que costurasse a boca de verdade, consegui. Bichos feios, nojentos também. Até baratas. Nunca tinha trabalhado com baratas. Não quis nada de computador não. Quis o barato, a barata ali, de verdade”, narra. (Lena, a companheira de JMM é quem atua na cena com as voadoras).

“Fiz questão também de filmar na Rua Augusta, na São João, Ipiranga, Jardins, e fizemos. Tive tudo o que eu quis. Nunca tive um dinheirão desse para fazer algo meu. E agora, está aí, para todos verem, para todo mundo se assustar, reagir. E é esta a resposta que eu quero para me sentir satisfeito – a reação do meu público”, acrescenta o cineasta, orgulhoso de sua obra.

 

E o orgulho do seu criador, contagia, sem hesitações, quem está por perto. É possível sentir que tudo é muito merecido, afinal esperar 40 anos para a obra ser realmente produzida, com tantos percalços e situações adversas que não permitiam a sua realização, é surpreendente. Mas mais surpreendente ainda é o resultado final. É bem-humorado ao mesmo tempo que é aflitivo e torturador, é espirituoso ao mesmo tempo que é canibalesco, é uma das maiores produções nacionais de todos os tempos e a maior de todas em seu gênero em território nacional. É uma obrigação desta geração, de gerações passadas e gerações futuras apreciarem este nosso mais novo produto, independente das opiniões que sejam formadas posteriormente. É o respeito ao ícone de uma era. Afinal, é “o mestre do terror que está de volta”!

criado por girli_e    19:09 — Arquivado em: Sem categoria

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