:: MiL oLhArEs ::

desabafO. opiniãO. palavrA vÃ. idéiA. errO. acertO

17/9/08

:: O eNsAiO cEgO dE mEiReLLeS ::

 

José Saramago, escritor português, disse há algum tempo que não liberaria os direitos autorais do seu tão aclamado romance Ensaio Sobre a Cegueira (1995), por acreditar que o cinema destrói a imaginação.

Talvez ele devesse ter mantido esta opinião a fim de permitir que todas as pessoas que leram o Ensaio pudessem guardar para sempre as imagens que elas próprias criaram em suas mentes quando finalizaram a leitura. Imagens assustadoras que se formavam dentro de uma perfeição de linhas e narrativa sem qualquer pontuação lógica, mas cheia de sensações, julgamentos e questionamentos.

Pois é exatamente isso que o livro faz. Narra com uma maestria exacerbante uma viagem bruta, alucinatória e caótica de uma parte da humanidade que se encontra em meio ao horror dos sentimentos e atitudes mais primitivas dos seres – egoísmo, sujeira, oportunismo, conformismo, amargura e violência - devido a uma cegueira inexplicável que ataca sem avisar.

A organização textual de Saramago propõe moral, ética e auto-reflexão. O leitor se entrega ao labirinto demente que se abre a cada página e sente a necessidade de encontrar uma solução, mesmo que para um mundo de fantasia – mas que poderia se tornar real, por que não?

Infelizmente, o longa-metragem dirigido pelo aclamado cineasta brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel, Domésticas) e estrelado por um elenco de peso (Julianne Moore, Danny Glover, Mark Ruffalo, Alice Braga e Gael García Bernal, por exemplo), que foi liberado às salas de cinema em 12 de setembro, não proporciona quaisquer reações, afetos ou reflexões. Talvez um certo julgamento por aqueles que não leram o livro ainda e, muito provavelmente, vão se incomodar com o conformismo dos personagens perante todas as situações que vivem e com algumas cenas que chocam os mais sensíveis. Somente.

Falta alguma coisa a mais para o filme cumprir o seu papel. Que papel? Ora, se há o ímpeto de se criar uma película que retrate uma obra escrita, a idéia principal é cumprir, pelo menos de forma aproximada, o mesmo papel da narrativa original, não? Pois bem. Não é isso o que acontece com o Ensaio sobre a Cegueira/Blindness (Brasil/Canadá/Japão, 2008) de Meirelles. Falta inquietação, emoção, respiros profundos de quem está prestes a ficar sem ar. Falta um desfecho mais bem elaborado e mais compatível com os últimos parágrafos do original.

Mas nem tudo está perdido e o diretor de Cidade de Deus ainda tem porque ser elogiado. Há, sem dúvidas, cenas de grande excelência, tomadas inspiradoras, trabalhos de luz e câmera deslumbrantes. As cenas que acontecem logo ao início são totalmente irritantes e perturbadoras. A claridade excessiva e os sons aguçados em certos momentos da trama salvam o enredo que deixa a desejar. A falta de foco proposital das câmeras e os raros momentos de bom humor não permitem que tudo seja criticado. Por sorte.

Duas cenas de humor memoráveis são o momento em que a “mulher do médico”, interpretada por Julianne Moore, em seu limite, porém tentando se controlar, mostra o dedo do meio e a diversão total se dá após o comentário feito por um dos soldados que guardam o asilo e Gael García Bernal, como o “Rei da Ala 3”, cantando “I just called to say I love you”, de Stevie Wonder.

De resto, nada além. As imagens neste caso se apoderam da história resumida e das atuações medianas. Mas ainda há as imagens - um dos raros motivos para se dirigir à uma sala grande e escura ao invés de enfrentar páginas claras, com letrinhas pretas e pontuação adversa.

criado por girli_e    19:20 — Arquivado em: Sem categoria

:: SoMoS ToDoS PuTaS e MiChêS? ::

 

Que 99% da humanidade não vale "picas", hoje aprendi a enxergar. Neste ano de 2008 decidi, contra minha própria vontade (e "forçada" por atitudes alheias…), deixar de lado meu lado sonhador  e crente de que as pessoas valem todas as penas e estou, aos poucos, me policiando e me disciplinando a entender que infelizmente quase todos os seres humanos são egoístas, mesquinhos e não são capazes de olhar o mundo além de seus próprios umbigos.

Promessas já não valem de nada, então para quê acreditar nelas?

Palavras são meros instrumentos descartáveis, então, por que ouví-las, e tentar entender a verdade que (não) há nelas?

Sentimentos são vãos e vagos e superficiais e fracos - não importa o quanto os outros digam que são fortes, verdadeiros e infinitos…

Então porque ter fé no ser humano? Por que ter fé em falsas promessas? Por que ter fé no infinito se ele não é real? É tudo um grande monte de MERDA.

Mas, enfim…

A questão principal neste momento é saber se somos todos PUTAS e MICHÊS, já que a lição do "ninguém (ou quase) vale PORRA nenhuma" eu já aprendi.

Não julgo prostitutas ou "prostitutos" e acho sim que deveria ser uma ocupação "legalizada", a fim de um pouquinho de moral e saúde geral serem preservadas com mais dignidade (se for o caso…).

Mas o meu título "aí pra cima" nada tem a ver com a profissão de "outrora" que eu acho que deveria ser legalizada… Não é literal… E por isso mesmo volto a perguntar: somos todos PUTAS e MICHÊS?

Nos vendemos fácil e naturalmente quando a questão é "status" social, dinheiro, fama, reconhecimento e prazer? Sem remorso, sem culpa, sem dor na consciência? Mesmo que isso signifique invadir o espaço do outro, trair o outro, desrespeitar o nosso semelhante e "FODER" com quem quer que nos atrapalhe em nossa (vadia) jornada?

É tão fácil assim para nós, seres (des)humanos, invadirmos o caminho de um amigo, colega, parente, familiar ou até mesmo um estranho, tomar o que não nos pertence e ainda assim achar que é mérito nosso?

MAS QUE PUTARIA É ESSA? ONDE ESTÁ A MORAL E A ÉTICA QUE DEVERIA FAZER PARTE DOS NOSSOS PASSOS E INTENÇÕES?

É tão fácil assim vendermos uma imagem que não condiz com o que somos para ludibriar o próximo, julgando, criticando, apontando o(s) erro(s) dos outros como se nós mesmos nunca tivéssemos cometido tais pesares??? QUE MUNDO MAIS NOJENTO, DOENTIO E INCONSISTENTE É ESTE EM QUE VIVEMOS?

Nós. Todos nós. Eu, você e você e você aí! Alguém se salva?! Quem faz realmente parte do 1%?

E o que mais dói é saber que acreditávamos em algumas pessoas do nosso 1% imaginário, achando que elas realmente faziam parte do 1% real… E o engano é estampado na sua cara, como uma cuspida fétida de um demônio traidor…

É assim que ela se sente agora. E sem previsão de mudanças em breve.

 

criado por girli_e    18:53 — Arquivado em: Sem categoria
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